Vitória: “...”
Camila insistiu.
— Mesmo que Víctor tenha errado, a culpa não se estende à família. Portanto, este assunto não tem nada a ver comigo. Mesmo que Víctor seja o culpado, vocês podem simplesmente vir aqui e arruinar o casamento da minha filha? Eu vou processar cada um de vocês. A lei me dará justiça.
O promotor sorriu.
Abriu a pasta que recebera de Isaías.
— Você calculou tudo, mas não contava que Víctor escrevesse um diário.
As pernas de Camila fraquejaram, e desta vez, ela caiu no chão.
O promotor, usando luvas brancas.
Retirou o diário de dentro.
— Este diário registra o que Víctor fazia todos os dias. Inclusive, como você o instruiu a encontrar um bode expiatório para atropelar e matar o Sr. Felipe e a Sra. Iracema. O que me intriga, Camila, é por que você fez isso?
— Você mesma acabou de dizer que, naquela época, ainda não trabalhava na família Sousa. Então, que rixa, que ódio você tinha do Sr. Felipe e da Sra. Iracema para cometer um ato tão absurdo e cruel? Você não acha que me deve uma explicação?
Miguel falou de repente.
— Esta é uma longa história. Na verdade, Camila e eu nos conhecemos há muito tempo, desde os dezoito anos. Na época, eu tinha acabado o ensino médio, e meus pais me mandaram trabalhar para ganhar experiência. Foi quando a conheci. Jovens, convivendo dia e noite, é natural que surjam sentimentos. E nós nos apaixonamos.
— Eu sabia que meus pais não aprovariam, então mantivemos nosso relacionamento em segredo, tentando encontrar uma solução. Mas meu irmão Felipe descobriu tudo. Ele contou ao meu pai, que ficou furioso e me obrigou a terminar, além de me forçar a casar com a filha de um amigo da família.
— Por causa disso, meu pai adoeceu de raiva. Eu não podia agradar a todos. Tive que sacrificar um lado. Então, escolhi meus pais e terminei com Camila. Mais tarde, Camila engravidou. Meu pai, para evitar que eu tivesse um filho ilegítimo antes do casamento, mandou meu segundo irmão resolver a situação. E meu irmão a forçou a abortar.
— Desde então, Camila guardou um profundo ressentimento pelo meu irmão Felipe. Eu só não imaginava que, anos depois, mesmo já casada, ela não conseguiria se controlar e cometeria essa tragédia.
— O que seu marido disse está correto? É a verdade? Você tem algo a contestar ou a acrescentar ao que ele disse?
Camila cerrou os punhos, suas unhas bem-feitas cravando-se na palma da mão, uma dor que ecoava em seu coração.
— Não. Eu os odiava. Odiava-os por terem matado meu filho, por me fazerem sofrer a dor de ser separada da minha carne e do meu sangue. Eu queria que eles também provassem o sabor de estarem separados para sempre de seu próprio filho.
Lurdes respirou fundo.
— Você diz que matou o tio Felipe e a tia Iracema. Então me diga, por que o Hugo veio me dizer que foi minha mãe quem os matou?
Camila riu.
— Porque ele descobriu que a morte de seus pais era suspeita. Para impedi-lo de investigar mais a fundo, eu só pude culpar sua mãe. Afinal, sua mãe também estava morta. E mortos não podem falar.

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