Esses comentários chegaram aos ouvidos de Florença, mas ela já estava acostumada. Caminhou à frente, sem pressa e com tranquilidade.
Tais elogios Florença costumava ouvir sempre que não se disfarçava de feia. Lembrava-se de que no Colégio Alegre Aprendizagem havia uma votação para a estudante mais bonita, e alguém havia colocado sua foto lá. Logo foi eleita pelos colegas para o primeiro lugar.
Foi provavelmente esse episódio que despertou o ciúme de Gisele.
Depois disso, Gisele recorrera a vários métodos, espalhando boatos sobre a vida pessoal de Florença, provocando incêndios de propósito, entre outros. Não só destruíra sua reputação, como também queimara sua pele e, posteriormente, causara um acidente cirúrgico que a fizera perder a visão de um olho.
Como seu mestre dizia, ela tinha um temperamento direto, agia sem rodeios e, além de ser forte e saber lutar, não era muito astuta.
Confiava em Gisele, mesmo sem laços de sangue. Considerava Gisele como uma irmã. Via as outras pessoas com boas relações entre irmãs e achava que ela e Gisele também poderiam ser assim.
Nunca soubera que, enquanto queria tratar Gisele como irmã, Gisele só queria destruí-la.
Foi como no incêndio da vida passada: Gisele sabia que ela certamente entraria para salvá-la e, por isso, planejou tudo com precisão.
Demorou muito para perceber toda essa maldade porque sua vida anterior fora simples, cercada de pessoas boas, sem preconceitos ou armadilhas.
Enquanto pensava nessas coisas, Florença, sem perceber, chegou à entrada do prédio feminino.
Na porta, havia uma senhora responsável pelo registro.
Florença se aproximou, fez o registro conforme as instruções da senhora, pegou a chave do quarto e, puxando a mala, dirigiu-se à porta principal do dormitório.
De repente, ouviu uma voz atrás de si.
“Colega, você vai para qual andar? Sua mala parece bem pesada. Deve ser difícil subir as escadas assim, posso ajudar?”
Florença olhou para trás e viu um rapaz alto e bonito.
Respondeu educadamente: “Agradeço sua gentileza, mas não precisa. Minha mala está um pouco pesada.”
“Quão pesada pode estar?” O rapaz sorriu, despreocupado. “Deixe, eu ajudo.”
Ele segurou a alça da mala e tentou levantá-la para subir os degraus.
A mala nem se mexeu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abandonada pela Família, Salva pelo Amante