Florença chamou um táxi e foi ao hospital.
No saguão do primeiro andar, ela encontrou Iago inesperadamente.
Florença fingiu não ver e passou por ele sem parar.
No entanto, Iago não conseguiu agir como se não tivesse visto Florença.
Naquele enorme hospital, a peruca vermelha de baixa qualidade de Florença chamava tanta atenção que seu estilo exótico destoava completamente do ambiente.
Iago, sem conseguir esperar que Florença tomasse a iniciativa de cumprimentá-lo, parou e a chamou: “Florença.”
Florença virou a cabeça e o olhou, com os olhos pesadamente maquiados, sem entender: “O que foi?”
Iago respirou fundo: “Até quando você pretende continuar com essa rebeldia?”
Os lábios de Florença, pintados com batom roxo, se curvaram num sorriso de dúvida: “?”
Ela não havia provocado esse senhor.
Sabendo que ele era obcecado por limpeza e não gostava dela, ela ainda assim gastara trinta e cinco reais para chamar um táxi.
Sabendo que ele não gostava de contato, ela fazia questão de evitar até cruzar seu caminho.
Iago franziu a testa: “Na questão da Gisele, você é quem estava errada. Mamãe só te puniu de joelhos, mas você ficou cheia de má vontade. O que você quer afinal?”
Desde aquele incidente, Florença passou a desobedecer as regras.
Ele só conseguia imaginar que ela ainda guardava ressentimento pela forma como aquilo foi resolvido.
Mas a culpa era dela, por que ela teria motivos para se ressentir?
Florença não queria retomar esse assunto, mas já que Iago tocou nele, ela apenas riu friamente: “A injustiçada fui eu, a punida fui eu, eu reclamei de alguma coisa? Não aceitei tudo calada? Agora você vem me perguntar o que mais eu quero? Afinal, é vocês que querem algo ou sou eu?”
Ela simplesmente achava estranho, será que ela já não havia sofrido o suficiente?


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