Beatriz olhou para ele calmamente. Quanto mais o via com clareza, mais desapontada ficava.
E se sentia mais indigna por já tê-lo amado.
Sendo ele o lado errado da história, como tinha a audácia de dizer palavras tão absurdas?
— Arthur, eu não te amo mais. Não importa se ele existe ou não, eu não te darei nenhuma chance. — Seus lábios vermelhos desenharam uma curva extrema. — Falando nisso, o fato de eu poder conhecer meu namorado atual, foi graças a você e a Melissa.
— Como assim? — Arthur perguntou com a voz grave.
— Se não fosse pela sua permissão, contando para Melissa o que eu havia passado, como a Melissa ousaria armar contra mim, com a intenção de fazer trãs lixos me destruírem completamente?
Melissa queria vê-la perder o controle, desmoronar, empurrá-la para um abismo sem fim e eliminá-la sem sujar as mãos de sangue.
— Foi naquele momento que o encontrei. Talvez isso seja destino; logo quando eu me curei, logo eu o encontrei.
— Não... — A expressão de Arthur rachou, e ele disse em voz baixa: — Eu nunca pensei em usar aquele assunto para te machucar. Eu estava bãbado, não falei para ela de propósito.
Ele apenas tinha ressentimento em relação à doença oculta de Beatriz. Toda vez que a via resistindo à intimidade com ele, aquela forte sensação de frustração o envolvia silenciosamente.
— Agora já não faz sentido falar sobre isso! — Ela desviou o olhar suavemente. No momento em que passaram um pelo outro, ela disse calmamente: — Volte para o lugar onde você deve estar.
Eles já não eram pessoas do mesmo mundo. Ela fora muito ingânua, achando que o amor verdadeiro superava todas as dificuldades, mas no fim, a pessoa em quem ela mais confiava foi a que a feriu mais profundamente.
Arthur quis estender a mão para agarrá-la, mas a ponta dos dedos só pegou o vazio.
Queria correr atrás dela, mas seus pés pareciam ter criado raízes, incapazes de dar meio passo.
Só pôde ver a figura dela desaparecer na esquina.
Ela bateu na porta do óltimo quarto do corredor.
Um momento depois, alguém abriu a porta por dentro. Quando Isadora viu que era ela, um traço de desconforto passou por seu rosto.
— Por que você veio?
— Vim te ver e aproveitar para perguntar quando você volta ao trabalho.

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