Será que ele havia sofrido algum tipo de provocação?
A voz de Antônio soou fria e cortante:
— Eu já havia dito antes. Se você se mantivesse no seu lugar, eu permitiria que ficasse no Grupo Zenith. Mas se tivesse segundas intenções, seria enxotada daqui!
Ela não conseguia entender:
— Eu não sei do que você está falando.
Ele deu um sorriso gélido:
— O projeto de licitação do terreno da Imobiliária Vale Rico foi, por coincidência, vencido pela Família Silva. Me diga o porquê.
— Eu... não sei.
Ele sorriu com frieza, suas palavras carregadas de um sarcasmo cruel:
— O Sérgio Silva não tem essa capacidade! Sabrina Silva, você acha que eu sou idiota?
No dia seguinte, ao acordar, ela virou-se na cama por hábito. Antônio não estava no quarto; provavelmente havia saído ainda na noite anterior, como de costume.
Ela tateou até o celular no criado-mudo e ligou para Flávia Mendes para pedir o dia de folga, alegando não estar se sentindo bem.
Depois de desligar, voltou a dormir e só acordou às duas da tarde.
Ao deixar o hotel, notando que ainda faltava muito para o fim do expediente, ela foi a uma cafeteria para passar o tempo, evitando voltar cedo e levantar as suspeitas de Sérgio Silva.
Antônio tinha adivinhado corretamente: fora ela quem passara a proposta de licitação do Grupo Zenith sobre o terreno da Vale Rico para Sérgio.

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