A tolerância ao álcool de Sabrina Silva costumava ser muito baixa, mas desde que fora para a Califórnia, suas bebedeiras ocasionais a ajudaram a desenvolver certa resistência.
Mesmo assim, bebendo com um grupo de pessoas acostumadas a eventos sociais, ela não era páreo para eles. Na metade do jantar, já se sentia embriagada.
Gustavo Guimarães não disse uma palavra do começo ao fim, observando em silêncio enquanto os outros brindavam a Antônio Jordão, e ela bebia taça após taça em seu lugar.
Ele franziu levemente a testa. Ao ver que ela aceitava cada brinde oferecido por qualquer um, uma onda de raiva surgiu em seu coração, mas ele só podia forçar-se a reprimi-la.
Ela estava levemente tonta. Sob a luz, suas bochechas lisas e delicadas ganharam um tom rubro e encantador, e seus olhos brilhavam úmidos a cada olhar.
Ela trabalhava claramente na Revista Vanguarda, então como foi parar no Grupo Zenith?
Mesmo que Antônio fosse seu superior, ela poderia ter recusado beber no lugar dele. Antônio era um homem, então não deveria se importar com a recusa de uma mulher.
Por que ela estava suportando tudo isso?
Sabrina sentiu apenas o estômago revirar. Ela pousou a taça de vinho, murmurou um "com licença", cobriu a boca e correu para fora da sala privativa. Encontrou rapidamente o banheiro, debruçou-se sobre a pia e começou a vomitar.
Quando terminou de vomitar e lavou o rosto, virou-se e, naquele instante, viu Gustavo parado na porta do banheiro.
Ela ficou um pouco atordoada, e antes que pudesse abrir a boca, Gustavo falou:
— Quando você entrou para o Grupo Zenith?
Ela não tentou esconder:
— Hoje.
Gustavo franziu o cenho de leve, sem que se soubesse o que pensava. Após um momento, disse:
— Não beba tanto, não faz bem à saúde.
Ela respondeu friamente:
— Exigência do trabalho.
Ao ouvir aquela resposta indiferente, Gustavo sentiu uma pontada de irritação e sua voz esfriou:
— Antônio é um homem. Se você recusar, ele não vai dificultar as coisas para você.

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