A proprietária abriu um sorriso cortês; a sua expressão era serena:
— Ler é ótimo nos momentos ociosos; serve como um bom passatempo.
Quando ela retornou para dentro, Sabrina Silva espreguiçou-se confortavelmente segurando o livro, parando de vez em quando para tomar pequenos goles do seu café.
Quase na hora do almoço, ainda não havia nenhum vestígio de Antônio Jordão e Heitor Henriques.
Ricardo Queiroz voltou. Ao ver o café posicionado do lado de Sabrina Silva, ergueu o pires com a intenção de saborear o líquido. Ela cortou o barato logo:
— Eu já bebi desse café.
Ele dispensou o alerta:
— Você não é portadora de nenhuma infecção, pelo que sei. — E bebeu um bom gole, realocando o copo sobre o apoio. — Pegue de volta.
Sabrina Silva ficou em choque pela ousadia. Lançou-lhe um olhar aborrecido, de quem jamais aceitaria o hábito nojento de dividir copos com terceiros:
— Beba tudo.
Ricardo Queiroz puxou o pires alegremente. Afinal de contas, a sua sede encontrava uma pausa no exato momento, e não havia desculpas para rejeitar aquele café.
Como se tentasse barganhar um favor, ele jogou o equipamento na frente do rosto de Sabrina e comentou animado:
— Saca só esse visual. Quando o resort estiver construído, juro que virei dar um rolê aqui de pelo menos uns dois dias.
A garota abriu espaço, quase soltando um "Ótimo. Conte comigo", quando levantou o rosto. Seus olhos captaram Antônio Jordão, Heitor Henriques e as suas comitivas perambulando nas extremidades da Ponte Suspensa.
Ela apontou com a ponta do queixo. Ricardo acompanhou o seu movimento com o olhar. Assim que os homens atravessaram, os jornalistas avançaram na sua direção em passos largos:
— Sr. Jordão. Prefeito Henriques.
Os olhos de Antônio Jordão afundaram-se rapidamente ao perceber a máquina nas mãos de Ricardo. A irritação em sua feição bela estava em evidência.
O Grupo Zenith estava cercado por turbulências severas decorrentes das denúncias contra o desenvolvimento no sul. Antônio Jordão flagrou o aparelho atado ao pescoço de Ricardo e achou que a agência trouxera até ali um paparazzo bisbilhoteiro.
Sabrina notou as expressões sombrias e não perdeu tempo; aproximou-se um pouco mais, retirou um gravador, apontou na direção do homem e questionou:

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