Cael Castro olhou para ela e depois para Ricardo Queiroz, que trazia uma câmera no pescoço, compreendendo as suas intenções:
— A revista de vocês pretende entrevistar o Prefeito Henriques?
Sabrina Silva não rodeou. Ela admitiu francamente. Ele ponderou por um breve momento e assentiu, concordando com o seu pedido.
Sob a orientação de Cael, os seguranças na entrada não impuseram resistência. Ricardo aproximou-se dela e sussurrou:
— Quem é esse cara? Percebeu como os guardas abaixaram a cabeça para ele?
— A curiosidade matou o gato. — Sabrina Silva empurrou a cabeça do seu colega e acelerou o passo para acompanhar Cael Castro.
A leste do resort encontrava-se a Ponte Suspensa, sobrevoando um córrego borbulhante.
Cael informou-lhes que Heitor Henriques e Antônio Jordão passariam por ali ao finalizar a inspeção a caminho do almoço, de modo que eles deveriam esperar nas proximidades.
Ao lado da Ponte Suspensa, havia a Livraria do Lago, feita de madeira, irradiando um ar clássico, rústico e extremamente elegante.
Sob os guarda-sóis de fora, encontrava-se uma mesa de jacarandá estilo retrô, além de duas cadeiras de vime, evocando a estética de relíquias de uma dinastia antiga.
Com a câmera na mão, Ricardo Queiroz não parava de tirar fotos de tudo, com um humor surpreendentemente leve; ele parecia estar de férias, e não cobrindo uma reportagem oficial.
Sabrina Silva observou-o saltitar como um macaco e balançou a cabeça sem jeito. Depois de ficar alguns momentos na ponte de cabos, sentiu o tédio e decidiu entrar na livraria.
Quem administrava o negócio era uma mulher que usava um vestido elegante marrom. Nele haviam sido bordados padrões requintados. Ela parecia ter cerca de trinta e cinco ou trinta e seis anos, com os cabelos presos, uma pele suave e impecável; demonstrava grande maturidade em um charme totalmente antiquado.
A proprietária lia um livro atrás do balcão, com uma xícara de café ao lado. Ela ficou pasma ao perceber alguém entrar na loja; claramente, não contava com a visita de clientes.
Ela pousou o livro e exibiu um sorriso sereno:
— Olá, que tipo de livro você está procurando?
A visita de Sabrina à livraria fora espontânea; ela não tinha certeza do que ler. Respondeu suavemente:
— Estou só dando uma olhada.
A dona concordou e retomou seu lugar sem incomodá-la. Pegou o livro sobre a mesa e continuou a leitura, servindo-se do café com delicadeza de vez em quando.

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