Todos que ali jogavam eram companheiros de Hugo, extremamente acostumados aos seus instintos.
Todas as intenções de Hugo para com Sabrina naquela noite não haviam passado em branco por eles.
O sujeito que esteve sentado do lado direito de Sabrina tinha bastante faro nas coisas e, no minuto em que ela marchou para fora, observou a cautela e desconfiança de Hugo para com aquela situação e ouviu Hugo ordenar à mulher ao seu lado:
— Siga-a.
A mulher do vestido decotado se ergueu, e no exato instante, Hugo consumiu de uma só vez a bebida, deixando o copo vazio na mesa:
— Eu vou.
Sabrina andava se apoiando nas paredes do corredor em direção ao banheiro. Hugo saiu da suíte a passos rápidos, seguindo-a e amparando-a pela cintura.
A poucos passos do banheiro, eles esbarraram com um homem de terno formal, e o cavalheiro desculpou-se.
Em um estado visivelmente embriagado, Sabrina dispensou-o:
— Sem problemas.
Aquele homem elegante era justamente o assistente de Antônio Jordão, Cael Castro. Cael achou a voz familiar e olhou para ela, depois para Hugo que a amparava.
Hugo Henriques expressou insatisfação na primeira olhada:
— Está olhando o quê? — E então empurrou Sabrina para o interior do banheiro.
Quando Cael voltou à suíte e cochichou-lhe informações no ouvido, os dedos de Antônio Jordão que seguravam as cartas pararam por um instante, o olhar insondável e profundo.
Muito tempo depois, ele solicitou:
— Ligue para Gustavo Guimarães.
Enquanto estava no banheiro, Sabrina ligou para Ricardo, avisou que a missão ainda não havia sido concluída, que precisavam se esforçar mais, e mandou ele esperar tranquilamente.
Ao mesmo tempo, Gustavo Guimarães, que fazia hora extra na empresa, atendeu a ligação de Cael e passou a discar incessantemente para o número de Sabrina.

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