Com aquele pequeno lembrete, Hugo Henriques repentinamente se lembrou de quem ela era. Observando que naquela noite ela estava ainda mais bela e elegante do que na festa do avô Silva, seus olhos brilharam intensamente. Retirou o cigarro da boca com os dois dedos e o apagou no cinzeiro.
— Sra. Silva, o que faz por aqui?
Sabrina piscou os olhos, as pupilas escuras extremamente vivas:
— Vim procurar meu cunhado, o Sr. Hugo por acaso o viu?
Hugo balançou a cabeça:
— Não.
Ela soltou um leve 'oh', com uma expressão de desapontamento. Assim que se preparava para fechar a porta e ir embora, Hugo acrescentou:
— Entre e venha jogar conosco. O Sr. Guimarães pode estar ocupado agora, mais tarde eu a acompanho para procurá-lo.
Ela percorreu o olhar pelos outros presentes com timidez, as bochechas corando levemente:
— Eu não conheço os seus amigos.
Aqueles amigos sabiam ler muito bem as situações. Um deles interveio:
— Não há problema algum. Você é amiga do jovem mestre Hugo, portanto, é nossa amiga também. É só nos reunirmos algumas vezes para brincar e já ficaremos íntimos.
Sabrina adotou uma pose hesitante. Hugo levantou-se, caminhou em passos rápidos até ela, segurou seu pulso e a conduziu para o interior da sala, fazendo-a sentar-se na cadeira onde ele estivera:
— Jogue você.
— Eu só sei jogar um pouco. — Ela correu os olhos pela mesa. Parecia que o jogo corria com apostas altíssimas; cada rodada devia valer milhares.
— Se você perder, vai na minha conta. Se ganhar, o dinheiro é seu. — A mulher ao lado abriu espaço gentilmente para Hugo, e ele se acomodou junto de Sabrina.
Sabrina comentou em tom de brincadeira:
— Se eu gastar todo o seu dinheiro, acabarei tendo que me dar como pagamento pela dívida.
O resto da mesa caiu na gargalhada e laçaram olhares sugestivos para ambos.

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