Quando os dois encontraram Hugo Henriques, ele estava sacudindo um carro com uma mulher.
Sabrina e Ricardo, cada um segurando uma garrafinha de água mineral, se esconderam atrás das árvores da calçada, planejando esperar que eles terminassem para, então, fingir um encontro casual.
A rua era isolada e passava pouca gente. Somando-se ao fato de já ser tarde, ninguém percebeu aquela cena bizarra.
Meia hora se passou e a atividade no carro parecia não ter fim. Ricardo foi perdendo a paciência e resmungou baixinho:
— Quando é que eles vão acabar?
Sabrina terminou a sua água e jogou a garrafa vazia na lixeira mais próxima:
— Por que você não vai lá apressar as coisas?
Ricardo deu uma risadinha seca:
— Vai você, se tiver coragem.
Eles aguardaram mais um pouco até que uma mulher, usando uma minissaia preta e justa, saiu do carro. Enquanto andava, parecia praguejar, deixando claro que os dois haviam brigado.
Após a mulher ir embora, Hugo Henriques ligou o carro e partiu. Sabrina e Ricardo saíram das sombras. Não muito longe, estava estacionado o táxi que eles haviam pegado para seguir Hugo.
Ricardo acenou, e o motorista aproximou o veículo. Os dois entraram, e Sabrina ordenou:
— Siga aquele carro ali da frente.
O motorista os encarou com estranheza pelo retrovisor, mas arrancou e foi atrás do carro.
O carro de Hugo estacionou do lado de fora de um grande supermercado. Quem desceu, no entanto, não foi Hugo, mas sim um homem desconhecido.
Assim que o táxi parou, Sabrina empurrou a porta e saltou para fora. Correu até o carro e espiou pela janela, mas não havia ninguém lá dentro.
Ricardo pagou a corrida e foi até ela. Ao ver o homem de camisa xadrez entrar no supermercado, perguntou apressado:
— Por que você não foi atrás dele? Ou não o parou?

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