Escritório da editora-chefe.
Clarice virou a tela do monitor em direção aos dois e apontou para o homem na foto:
— Este é o Prefeito Henriques. Ele está prestes a assumir um alto cargo. Até agora, não fez nenhuma declaração oficial sobre os rumores. Se conseguirmos uma entrevista exclusiva, a tiragem desta edição com certeza irá estourar em vendas.
Em pé, diante da mesa, Sabrina Silva e seu colega Ricardo Queiroz observavam a foto lado a lado, dando-lhe uma rápida analisada.
Ricardo coçou a cabeça:
— Dona Clarice, não me diga que a senhora vai nos enviar para essa entrevista?
Clarice assentiu:
— Isso mesmo, vocês dois.
Sabrina estava em apuros. Ela pertencia ao departamento de redação e sequer fazia parte da equipe de entrevistas. Fazer com que alguém que não tinha experiência, nem possuía nenhum contato de influência, conseguisse entrevistar o prefeito, era o mesmo que tentar tocar o céu. Muito provavelmente não passariam nem da porta.
Ela e Ricardo trocaram olhares, e a dura realidade transparecia nos olhos de ambos. A missão seria esmagadora.
Ricardo expressou suas preocupações:
— E se o Prefeito Henriques não quiser nos ver?
Aquele prefeito dificilmente concedia entrevistas. Desde que havia assumido, as reportagens exclusivas sobre ele podiam ser contadas nos dedos.
Políticos sempre andavam em casca de ovo. Quanto maior fosse o número de aparições, maior seria sua exposição perante os eleitores. Ao cometer qualquer deslize, no melhor dos cenários poderiam ser tirados do cargo e, na pior das hipóteses, poderiam até ver o sol nascer quadrado.
Clarice sugeriu:
— Por isso, vocês deverão realizar uma campana.
Mas eles não eram paparazzi!
Os dois deixaram escapar um longo suspiro de frustração.
Ao olhar para aqueles rostos deprimidos, Clarice suspirou com impotência:
— Todos sabem da má fase que a Revista Vanguarda vem atravessando. No mês passado, tivemos a metade das vendas do mês retrasado. Se a situação persistir, a revista vai acabar fechando as portas antes do fim do ano.

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