— Sr. Jordão, eu juro que não foi de propósito... — Ela estancou no mesmo instante, franzindo os lábios num beicinho choroso.
Ao escutar o alvoroço, Sérgio Silva aproximou-se e, vendo a roupa suja de Antônio e a mulher aos prantos, compreendeu a situação de imediato.
— Sr. Jordão, peço que vá descansar um pouco num dos quartos no andar de cima. Mandarei alguém lhe levar roupas limpas imediatamente — declarou, ciente do seu papel como anfitrião e constrangido com o incidente.
Muito embora Sérgio fosse mais velho, a família Jordão desfrutava de imenso poder financeiro e prestígio em Alvorada; portanto, todo o cuidado e reverência com Antônio eram poucos.
Ainda assim, preocupado em não perder a face, manteve um tom cordial de desculpas, mas sem demonstrar subserviência.
— Sabrina, acompanhe o Sr. Jordão ao quarto para que ele possa descansar — ordenou Sérgio assim que Sabrina, após pousar a taça, chegou ao local, ainda confusa com o que ocorrera.
— Sim. — Ela respondeu quase no automático, deu uma espiada no terno dele e fez um gesto apontando o caminho: — Por favor, Sr. Jordão, por aqui.
Antônio a acompanhou para fora do salão. Como seguia na frente, Sabrina apertou o botão do elevador sem perder tempo.
A cabine estava exatamente naquele andar; portanto, as portas abriram-se no mesmo instante.
Eles entraram, ela pressionou o botão para subir e as portas se fecharam. O elevador começou a ascender em linha reta.
O silêncio reinou na viagem, mas ela encontrou uma brecha para dar uma olhadela dissimulada para ele.
Apesar da fisionomia passiva, seus olhos irradiavam uma frieza sombria e gélida.
Ela chegou a pensar em algum tema que pudesse afrouxar o clima pesado, no entanto, ainda que ambos tivessem compartilhado a maior das intimidades, mal se conheciam; por mais que se esforçasse, não lhe ocorreu assunto algum.
Desde que havia cruzado aquela linha com ele, chegara a fazer algumas buscas sobre ele na internet e agora detinha uma noção superficial a respeito da sua pessoa.
O humor de Antônio encontrava-se em estado deplorável. Iniciar qualquer diálogo naquele momento soaria inoportuno e correria o risco de exacerbar-lhe a fúria, e ela não queria pagar o pato.
Definitivamente, não queria ser bode expiatório ou o saco de pancadas dos problemas alheios.
Com um "ding", as portas abriram-se e ambos saíram, um logo atrás do outro.

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