— O que foi? — Como ela permanecera calada por longos segundos, Antônio a fitou de cima, notando sua distração, e franziu levemente a testa.
— Estava pensando: como os outros trouxeram acompanhantes, por que o Sr. Jordão veio sozinho? — Ela deu-lhe um sorriso suave, com os olhos cintilando.
— Você não está aqui? — A resposta soou irônica, mas seus olhos negros não expressaram emoção alguma, mantendo um tom inteiramente inexpressivo.
Ela sorriu e ficou calada.
Obviamente, ela não seria ingênua de acreditar que a presença dela era o motivo de ele ter vindo desacompanhado.
Antônio Jordão jamais seria do tipo que leva em consideração os sentimentos de uma mulher, não é mesmo?
Além disso, a relação entre eles baseava-se unicamente em satisfazer as necessidades de cada um, sem qualquer apego afetivo.
Com o fim da música se aproximando, Antônio a girou para longe e, em seguida, a trouxe de volta.
A barra do seu vestido esvoaçou leve e fluida, como as asas de uma borboleta. Sua cintura esguia arqueou-se para trás, sustentada pelo braço firme dele.
O último compasso ecoou em sincronia com o movimento final, marcando uma perfeita harmonia entre ambos.
Uma salva de palmas estrondosa inundou o salão.
Antônio a auxiliou a endireitar-se, e ela recuou delicadamente do seu abraço.
Diante dos aplausos da multidão, suas bochechas adquiriram um tom rubro que a deixava ainda mais encantadora sob a luz dos lustres de cristal.
Vendo que Antônio já havia concedido uma dança naquela noite, algumas convidadas deduziram que ele não negaria uma segunda, e avançaram para convidá-lo.
Antônio limitou-se a um gélido "Desculpem-me", apanhou uma taça de champanhe da bandeja de um garçom e dirigiu-se a outra área do salão.
Sabrina serviu-se de um pouco de comida e procurou um canto discreto na zona de descanso para comer em paz.

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