Ao chegar em um lugar estranho, Sabrina sempre sofria de insônia na primeira noite. Passou a noite inteira em um estado de vigília.
De manhã, ela acordou cedo. Após se lavar, foi até a varanda observar as águas do rio pela manhã. A luz do sol refletia na superfície, como a brilhante luz que se segue à escuridão.
Por volta das sete horas, ela pegou o elevador até a suíte presidencial e bateu na porta. Antônio estava escovando os dentes e atendeu quando a ouviu.
Sabrina piscou, atônita ao vê-lo com a boca cheia de espuma. Antônio lançou-lhe um olhar rápido antes de dar meia volta e voltar ao banheiro.
Sabrina ficou alguns segundos na porta, depois entrou no quarto e se aproximou do banheiro.
Antônio estava enxaguando a boca. Ele usava uma camisa preta com calças sociais da mesma cor, e calçava sapatos de couro italiano sob medida.
Ao cuspir a água, ele se inclinou para frente. A camisa colou em suas costas largas, revelando claramente a estrutura proeminente de sua espinha.
Este homem sem dúvida vinha de uma família prestigiosa; qualquer de seus movimentos exalava elegância e nobreza.
Após terminar de se arrumar, Antônio se virou e a encontrou parada na porta do banheiro. Lançou-lhe um olhar indiferente, saiu do banheiro, entrou no quarto, pegou o relógio no criado-mudo e o prendeu no pulso.
Sabrina o seguiu, morrendo de vergonha. Havia ficado maravilhada apenas por observá-lo, o que achou uma atitude ridícula da sua parte.
Ela tossiu de leve para clarear a garganta.
— Vim perguntar se o senhor vai descer ao restaurante para o café da manhã ou...
— Você faz. — A frase de Sabrina foi cortada por Antônio antes de terminar.
Seu tom, como se fosse algo completamente natural, fez Sabrina ter certeza de que ele a havia trazido apenas para ser sua babá.
Ela ergueu o punho para as costas dele, indignada. Mas no segundo seguinte cedeu. Lembrou-se de que Cael havia comprado ovos no dia anterior e foi para a cozinha.
Ela fritou ovos, preparou um mingau de aveia e algumas torradas como acompanhamento.
Pensou que Antônio iria rejeitar um café da manhã tão simples, mas para sua surpresa, ele se sentou e começou a comer o mingau sem dizer uma palavra de desgosto.
Sabrina separou a porção de Cael em uma marmita térmica.
Antônio, ao olhar para cima de forma displicente e ver a marmita ao lado, perguntou:
— Para quem é isso?

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