A luz fraca entrava pelas frestas das cortinas no quarto, onde a mulher dormia profundamente, com roupões atirados em desordem pelo chão.
O som de batidas na porta ecoou, e Sabrina Silva sentou-se, amparando a cabeça dolorida. O que se apresentou aos seus olhos foi um ambiente desconhecido, e a dor em seu corpo fez com que sua consciência confusa se tornasse gradualmente clara.
As batidas continuavam. Ela puxou a coberta que havia escorregado, escondendo as marcas em seu corpo, e elevou a voz:
— Pode entrar.
Dona Odete abriu a porta e entrou. Ao ver os dois roupões atirados no chão, mostrou uma expressão de surpresa, mas logo colocou as roupas que trazia no pequeno banco ao lado:
— Sra. Silva, já é tarde, é hora de se levantar.
Ela massageou as têmporas:
— Obrigada.
Após a saída de Dona Odete, ela pegou as roupas no banco. Além do traje social para o trabalho, havia também um conjunto novo de peças íntimas, exatamente do seu tamanho.
Ela se vestiu e desceu as escadas. Antônio Jordão tomava o café da manhã na sala de jantar. A luz da manhã entrava pelas janelas do chão ao teto, derramando uma suave aura de luz sobre ele, cujos contornos severos pareciam serenos como uma pintura.
Dona Odete, ao vê-la descer, trouxe sua porção do café da manhã da cozinha:
— Sra. Silva, o seu café da manhã.
Ela sentou-se em frente a Antônio Jordão. O homem do outro lado já havia terminado a refeição e lia o jornal com uma postura elegante, com os dedos de juntas bem definidas ligeiramente translúcidos na luz da manhã.
Ela não conseguia lembrar muito bem de tudo da noite anterior. Só sabia que a entrega apaixonada e desorientada havia sido real, assim como a respiração ofegante dele em seu ouvido.
Durante seu momento de distração, Antônio Jordão levantou a cabeça e olhou para ela. Vendo que ela encarava o café da manhã com o olhar perdido, perguntou:
— Não está do seu agrado?
Ela voltou a si imediatamente e tomou um gole de leite:
— Não é isso. É que bebi um pouco demais ontem à noite e estou com dor de cabeça.

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