Como não havia roupões femininos na casa, ela usava o dele; por ser grande demais, o tecido começou a escorregar, desvendando o seu ombro.
Sabrina Silva levantou o braço, contornando o ombro do homem e uma risada doce e frágil invadiu o ar, repetindo nas orelhas dele, não dando indícios de parar.
Ele a segurou pela curva da mandíbula, colocando as faces juntas e os olhares perdidos, e a voz seca soou:
— Sabe bem quem sou eu?
— Sr... Sr. Jordão... — Ela gaguejava, fragmentando o som delicado como se cada uma das plumas caíssem num abismo imenso, de forma profunda.
Os seus instintos foram cegados e, sem refletir, encobriu com sua boca aos beijos dela.
Após beijá-la por um momento, ele enterrou a cabeça no pescoço dela ofegando antes de erguer os olhos de volta para ela.
Com o olhar ainda mais obscuro e escuro:
— E quem sou eu?
Esgotada num resmungo choroso: — Antônio... Antônio Jordão...
O olhar sombrio continuou mergulhando nos abismos, questionando com insistência:
— Eu sou Antônio Jordão ou Gustavo Guimarães?
Sabrina não deu qualquer resposta; desconfortável, o roupão afrouxou e escancarou-se por vez de todo lado.
A força dos dedos forçou ainda mais no rosto dela com o tom mais áspero que poderia:
— Diga quem sou!

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