A Mansão Silva era uma propriedade clássica, rodeada de plátanos que eram ainda mais velhos do que a própria Sabrina Silva. Apesar do calor insuportável do verão implacável, as árvores permaneciam erguidas e firmes.
O sol abrasador infiltrava-se por entre as folhas, deixando reflexos de luz pelo caminho assombrado, como moedas de bronze antigas cravadas no chão.
Sabrina estava sentada com as pernas sobre o espaçoso peitoril da janela, folheando um livro. Como se encontrava na intimidade de seu quarto, vestia-se de modo simples: uma regata cor-de-rosa fina e shorts. Os cabelos negros estavam presos num coque no alto da cabeça. O rosto esbelto e perfeitamente liso dava-lhe a aparência de uma jovem ainda menor de idade, exalando um frescor jovial.
A lesão no pé a impedia de caminhar adequadamente. Consequentemente, passara toda a semana trancada no quarto mergulhada em suas leituras. A equipe da casa levava as refeições diretamente para lá. O ato de ler fora o melhor bálsamo para as longas horas de confinamento.
Ouviu-se uma batida à porta. Ao comando de Sabrina, uma funcionária entrou, equilibrando uma bandeja com melancia fresca e fatiada. Ela a colocou sobre a mesa e disse:
— Sra. Sabrina, o patrão mandou lhe avisar que a senhora precisa ir ao escritório buscar um documento e levá-lo à empresa.
Já haviam se passado quatro ou cinco dias. O ferimento no pé estava praticamente curado. Ficar enclausurada o dia todo a deixaria bolorenta em breve, então já era hora de sair e respirar um pouco.
Ela fez uma pequena dobra no canto da página, marcando onde havia parado, e fechou o livro:
— Entendido.
Meia hora antes, no escritório do presidente do Grupo Silva.
Antônio Jordão terminava de discutir as questões de negócios com Sérgio Silva e Gustavo Guimarães. Levantou-se, arrumou o paletó, já pronto para se despedir, quando Sérgio interveio:
— Sr. Jordão, por que não se junta a nós para o jantar?
Sérgio mal conseguia disfarçar o olhar cheio de expectativa. Antônio recusou com seu típico jeito imperturbável:
— Tenho um encontro marcado com o Sr. Horácio.
A população de Alvorada sabia que os clãs Horácio e Jordão outrora partilhavam laços de profunda amizade. Contudo, devido à morte trágica de Hugo Horácio, a aliança entre as duas famílias fora rompida drasticamente. Aquele encontro de Antônio com o patriarca Horácio poderia, ou não, revelar-se infrutífero.
Ciente da dinâmica entre as duas linhagens poderosas, Sérgio sugeriu:
— O Sr. Horácio nutre grande apreço pela apreciação de chás. O senhor poderia agradá-lo. A Sabrina possui habilidades notáveis com o ritual do chá. Ela poderia acompanhá-lo e prestar auxílio nessa área.
O documento que Gustavo segurava vacilou por um segundo em sua mão. Franzindo o cenho, replicou:

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