Depois de descansar um pouco, o grupo retomou os preparativos. Sabrina jogou a garrafa vazia no lixo e instintivamente começou a procurar pela figura de Antônio Jordão.
Ela o avistou sob uma sombra na ala oeste, conversando com uma mulher. A mulher vestia um vestido claro e elegante, com os cabelos presos no alto, exibindo uma delicadeza e uma doçura que lembravam uma dama de outros tempos.
Apesar de só conseguir ver a mulher de costas, ela tinha certeza de que era alguém muito bonita.
Antônio olhou para a mulher diante dele e pegou a pesada sacola de frutas que ela segurava. Com o olhar impassível, perguntou:
— Realmente não pretende voltar?
Heloísa Jordão não respondeu diretamente à sua pergunta; com uma voz suave, disse:
— Eu estou vivendo muito bem agora.
Ao ouvir aquilo, Antônio franziu a testa levemente. Ele apertou os lábios e havia um traço de culpa em seu tom:
— Tia, me desculpe. Naquela época eu não consegui ajudar.
A voz tranquila de Heloísa carregava uma doçura serena, e um leve sorriso despontou em seus lábios:
— Você era jovem demais na época. Não culpo você, nem a eles. É só que eu provavelmente não voltarei mais para aquela casa.
Antônio entreabriu a boca, prestes a dizer algo, quando escutou vozes desesperadas não muito longe:
— A Sabrina desmaiou!
Ao ouvir isso, ele franziu o cenho e caminhou a passos largos naquela direção. Após dar dois passos, lembrou-se de que ainda segurava a sacola de frutas. Ele voltou e a devolveu nas mãos de Heloísa.
Heloísa o observou com passos tão apressados, o que não combinava com o comportamento habitual dele, e lançou um olhar suspeito para a multidão.
Ao ver que quem havia desmaiado era uma garota, logo compreendeu do que se tratava e uma expressão de clareza surgiu em seu rosto.
Duas colegas amparavam Sabrina, prontas para levá-ela ao hospital. Antônio se aproximou rapidamente. Ele olhou para a mulher com o rosto avermelhado, lábios secos e esbranquiçados, e franziu a testa:
— Eu a levo para o hospital. Vocês continuem trabalhando; o resort precisa ser inaugurado na data marcada.
Sem esperar a reação de ninguém, ele tomou Sabrina nos braços e saiu apressado, deixando todos de queixo caído.
Já fora do resort, Cael correu para abrir a porta do carro. Antônio colocou Sabrina no banco e sentou-se em seguida:
— Para o hospital.
Cael fechou a porta, deu a volta pelo outro lado e entrou rapidamente no carro. Sem ousar perder um segundo, ligou o motor e acelerou velozmente.

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