Ponto de vista de Ella.
O karaokê tinha acabado, mas a noite, não. Nem de longe. Meu sangue vibrava, meu corpo solto e aquecido de um jeito que eu nunca tinha experimentado antes. Eu estava viva, me sentia vre. E por algumas horas de pura felicidade, tinha esquecido Alexander e todos os meus problemas.
Até ele entrar e arruinar tudo.
Eu o avistei no instante em que atravessou a porta, seu cabelo ruivo e sua silhueta impecável impossíveis de não notar, mesmo na luz fraca. Mas rapidamente desviei o olhar, fingindo que não o tinha visto.
Pela hora seguinte, fiquei de costas para Alexander de propósito, me recusando a dar a satisfação de me ver olhando na direção dele. Em vez disso, me concentrei em Molly, em suas histórias, no jeito como ela me fazia rir até doer o estômago.
Quando cheguei ao quinto Blue Hawaiian, a sala girava de forma agradável, e eu não me lembrava da última vez que me sentira tão bem e tão livre. Talvez nunca.
— Ei, quer tomar um ar? Está ficando abafado aqui dentro. — Molly disse, aproximando-se para que eu pudesse ouvi-la acima da música.
Assenti, grata pela sugestão. O bar tinha ficado lotado, e o calor daqueles corpos todos amontoados estava me deixando um pouco claustrofóbica. Além disso, talvez lá fora eu não sentisse o olhar de Alexander queimando em minhas costas.
Porque eu sabia que ele estava me observando. Eu podia sentir.
Molly se levantou e estendeu a mão para mim. A segurei sem hesitar, deixando que ela me guiasse pela multidão em direção à saída. Não olhei para trás. Não precisava ver o rosto de Alexander. Não me importava.
Pelo menos, era o que eu dizia para mim mesma.
O ar fresco da noite foi um alívio bem-vindo depois do calor abafado do bar. Molly não soltou minha mão enquanto me conduzia pela esquina até um pequeno beco ao lado do prédio. A música lá de dentro se reduziu a um surdo tum-tum-tum.
Molly enfiou a mão no bolso e puxou um maço de cigarros. Ofereceu-me um, mas balancei a cabeça e apenas me encostei na parede de tijolos, fechando os olhos. Ouvi o clique de um isqueiro, e o cheiro do cigarro fez meu nariz franzir.
Ficamos em silêncio por alguns instantes, lado a lado, enquanto Molly fumava. Inspirei fundo pelo nariz, acalmada pelo ar fresco. Mas quando finalmente abri os olhos, Molly estava parada à minha frente, e uma de suas mãos pressionava a parede de tijolos ao lado da minha cabeça.
Meus olhos se arregalaram ligeiramente.
— Molly…

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