Ponto de vista de Ella.
A Tara balançou a cabeça, arrependida.
— Eu fui horrível com você, e sinto muito por isso. Você sempre foi tão linda e inteligente, e mesmo não tendo muitos amigos, nunca pareceu se importar com o que os outros pensavam. Você era simplesmente autêntica, de um jeito que eu nunca soube ser.
As palavras dela me pegaram de surpresa. Eu, autêntica? Linda? Não era de forma alguma como eu me lembrava. Eu tinha sido tímida e desajeitada, sempre tentando agradar a todos e falhando miseravelmente.
Mas talvez não fosse assim que os outros me viam.
— Bom — falei, oferecendo um sorriso contido —, isso foi há muito tempo.
— Foi mesmo. — A Tara sorriu abertamente.
— E agora olhe para você! Confiante, radiante, o tipo de mulher que toda mulher quer ser.
— Obrigada, Tara. Isso significa muito.
Engatamos em uma conversa fluida depois disso, colocando o papo em dia sobre os anos que perdemos. Tara estava trabalhando com marketing agora, continuava solteira, mas saindo com algumas pessoas. Era bom conversar com alguém da minha idade sobre coisas normais, assuntos que não tinham nada a ver com a política de alcateias ou sentenças de morte.
— Então, um grupo de amigos vai sair depois que esse tédio de festa acabar. — A Tara finalmente disse.
— Vamos a um bar no centro para tomar uns drinques, talvez dançar um pouco. Você deveria ir! Vai ser divertido.
Hesitei. Ir a um bar? Dançar? Essas eram coisas normais que mulheres da minha idade faziam o tempo todo, experiências que eu nunca tive porque passei direto do controle do meu pai para o do Alexander.
E se eu realmente fosse morrer em alguns meses? Eu nunca teria essas vivências.
— Eu adoraria. Na verdade, eu nunca fui a um bar antes. — Respondi, antes que pudesse mudar de ideia.
Os olhos da Tara se arregalaram.
— Sério? Ah, então você definitivamente tem que ir. Nós vamos garantir que você se divirta, prometo!
Abri um sorriso, já imaginando uma noite de liberdade com drinques, dança, risadas. Apenas uma noite para ser jovem e despreocupada.
— Que história é essa que ouvi sobre ir a um bar?
A voz do meu pai cortou a minha fantasia. Virei-me e o encontrei parado logo atrás de mim.


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