— Acene se você entendeu.
Após um momento de rígida resistência, o Gabriel balançou a cabeça de forma robótica.
— Ótimo. — Dei as costas para ele bem no momento em que a Lilith vinha descendo as escadas apressada, agora vestindo um modelo de coquetel azul-marinho simples, mas elegante, com o cabelo prateado preso em um coque alinhado. Ela estava linda, como sempre.
— Pronta. — Disse ela, um pouco sem fôlego. Então, notou a expressão tempestuosa do Gabriel.
— Está tudo bem?
— Tudo ótimo. — Garanti a ela com um sorriso.
— O Gabriel gentilmente se ofereceu para nos dirigir até Stormhollow e agir como o nosso acompanhante esta noite. Não é verdade, Gabriel?
Gabriel me fuzilou com o olhar, mas assentiu novamente.
Abri um sorriso radiante e me virei para a Lilith, estendendo o meu braço para ela.
— Vamos, então?
O caminho até Stormhollow foi longo e silencioso. Gabriel segurou o volante com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos o trajeto inteiro, a mandíbula tão travada que pensei que ele fosse quebrar um dente. Lilith sentou-se ao meu lado no banco de trás, ocasionalmente jogando conversa fora sobre assuntos irrelevantes para preencher o silêncio desconfortável, mas ela também permaneceu quieta e tensa na maior parte do tempo.
Conforme cruzamos a fronteira para o território de Stormhollow, uma onda de nostalgia me atingiu. A paisagem era dolorosamente familiar — as colinas ondulantes, as florestas densas, o rio sinuoso que cortava o coração das terras da alcateia. Eu não tinha percebido o quanto sentia falta disso até agora.
— É lindo aqui. Eu quase tinha me esquecido… — Lilith comentou, quase melancólica.
Lancei a ela um olhar de lado.
— Você já esteve em Stormhollow antes?
As bochechas da Lilith coraram, e ela acenou com a mão de forma despretensiosa.
— Ah, você sabe. Só de passagem aqui e ali.


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