Por um longo momento, nós apenas nos encaramos, nenhum dos dois disposto a recuar. Finalmente, o Alexander suspirou.
— Que seja. Leve o vestido. — Ele resmungou.
Tentei não deixar a minha surpresa transparecer no rosto. Eu tinha mesmo vencido aquela discussão? Esperava mais resistência. Mas o Alexander apenas deu as costas e puxou a carteira sem olhar para mim.
— Vou pagar por ele. — Disse ele, levantando-se e saindo pisando duro.
Enquanto ele caminhava até o balcão, flagrei um vislumbre do meu reflexo no espelho. Eu mal me reconhecia — bochechas coradas, olhos brilhantes, postada de forma altiva e confiante em um vestido que eu jamais ousaria usar há apenas alguns meses.
Era uma vitória pequena, na verdade. Nada mais do que uma peça de roupa. E eu sabia que poderia muito bem ter cedido e escolhido um dos outros vestidos adoráveis dali. Teria sido mais fácil. Teria feito mais sentido dadas as minhas circunstâncias.
Mas não era realmente sobre o vestido. Era sobre bater o pé pela primeira vez na minha curta vida, sobre escolher o que eu queria, em vez do que os outros esperavam. Era sobre abraçar a minha feminilidade, a minha confiança, a minha sexualidade, sem deixar ninguém pisar em cima.
E pela primeira vez desde o nosso casamento, eu tinha me mantido firme e conseguido exatamente o que queria.
Talvez os próximos nove meses não fossem tão ruins, afinal, se eu me apegasse às pequenas coisas. Eu podia ajudar o Alexander com a campanha dele, mas isso não significava que eu precisava ser a sua esposinha submissa de novo.
Eu ainda podia ser eu mesma.
No dia seguinte, me vi de fato ansiosa pela festa. Apesar do meu relacionamento complicado com o meu pai e com a minha madrasta, eu estava animada para retornar a Stormhollow após cinco anos longe.
Enquanto fazia a maquiagem com cuidado, não pude evitar me lembrar dos cômodos ensolarados da casa da minha infância, dos jardins imensos onde eu costumava brincar, das trilhas da floresta que eu conhecia como a palma da minha mão. Meu quarto era espaçoso e iluminado, com janelas que davam para o jardim de rosas e deixavam o sol da manhã entrar.
Tinha sido tão diferente da vida que levei aqui em Ashclaw, onde fiquei confinada a um quartinho de hóspedes minúsculo por anos, isolada e ignorada, apenas para agora ser forçada a dividir o quarto com um homem que não me suportava e a quem eu também não suportava.



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