— Não vou. Eu fiz uma promessa todos aqueles anos atrás. Não pretendo quebrá-la agora. — Afirmei com firmeza.
Gabriel me estudou por mais um instante e depois assentiu, aparentemente satisfeito.
— Certo. Foi um longo dia. Vou deitar. — Ele virou o resto da bebida e se levantou.
Assim que fiquei sozinho, servi mais um copo de bourbon e o ergui, girando-o entre os dedos contra a luz do fogo.
Odiei o fato de ver o rosto dela ali, sorrindo para mim no líquido âmbar que refletia a luz.
Era apenas o vínculo de companheiros me fazendo vê-la em todos os cantos, lembrei a mim mesmo, deixando o copo de lado sem dar nenhum gole. Era meramente uma reação biológica e nada mais. Eu tinha resistido a isso com sucesso por cinco anos; conseguiria aguentar mais nove meses.
Afastei os pensamentos e me levantei, com a cabeça levemente zonza por causa do bourbon. Estava tarde e eu precisava dormir. Tinha passado a tarde patrulhando a fronteira leste, depois fui arrastado para aquele café para almoçar e ainda passei horas atualizando a papelada.
O cansaço estava me fazendo pensar demais, e o álcool estava me deixando estúpido e vulnerável.
Balançando a cabeça, caminhei em silêncio pelos corredores escuros. Ella já devia estar dormindo, assim como todo mundo nesta casa. E, de fato, quando cheguei à porta, não havia nenhum feixe de luz escapando por baixo. Uma bênção, não ter que conversar com ela ao entrar.
Mas o aroma de Ella me atingiu como uma parede de tijolos no segundo em que pisei no meu quarto. Flores de cerejeira e baunilha, doce e inebriante, preenchendo cada centímetro do ambiente.
Estava ficando mais forte a cada dia.
Meu lobo forçou a passagem, arranhando o interior da minha pele como se tivesse ficado selvagem. Ele queria que eu a marcasse, que a reivindicasse. A força daquilo foi tão repentina e intensa que tive que segurar no batente da porta para me conter.

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