— Os guerreiros patrulham as fronteiras. — Alexander explicou.
Ele estendeu a mão para me ajudar a subir em uma pequena saliência na rocha, e eu a aceitei, tentando não pensar no quanto a palma da mão dele estava quente. Bem mais abaixo, os paparazzi lutavam para conseguir nos acompanhar. Alguns já tinham desistido completamente.
— Mas eu gosto de ver as coisas de perto. Além disso, gosto de vir aqui para fora. É bom e tranquilo. — Ele concluiu.
Eu tinha que admitir que era realmente lindo ali, o cheiro da terra úmida pelo orvalho da manhã, o som da brisa balançando as folhas, a floresta densa de um lado e o penhasco íngreme que dava para um grande desfiladeiro do outro. Um rio serpenteava pelo vale lá embaixo, brilhando sob a luz do sol do meio-dia.
Se eu ignorasse o barulho incessante dos obturadores das câmeras batendo ao longe, também acharia aquele lugar tranquilo.
De repente, o Alexander se inclinou para a frente, erguendo a mão acima dos olhos para se proteger do sol enquanto espreitava o vale abaixo. Ele franziu a testa por um instante e, em seguida, os olhos dele brilharam de um jeito que eu nunca tinha visto antes.
— Olha, lá embaixo. — Disse ele, apontando.
Me virei e segui a direção do dedo dele com o olhar, mirando o desfiladeiro sob nós. Demorou um momento para eu conseguir enxergar o que ele estava vendo sem a visão aguçada da minha loba, mas quando finalmente localizei, perdi o fôlego.
Uma mamãe urso-negro estava sentada no meio de um campo de flores silvestres bem lá no fundo, enquanto seus dois filhotes rolavam na grama ao lado dela, brincando.
Por um segundo, observando os filhotinhos brincarem, senti um nó tão forte na garganta que não consegui falar. Não era só porque a cena era linda, e com certeza era.
Era o fato de que, durante todo o meu tempo como Luna de Ashclaw, eu nunca tinha visitado a fronteira acidentada que separava a nossa alcateia da de Moonshine. Nem uma única vez. Eu tinha ficado presa demais tentando ser a Luna perfeita e dedicada dentro de casa.
Eu tinha perdido tanta beleza. E pensar que eu corria o risco de morrer em breve e nunca ter a chance de explorar o território que tinha sido o meu lar por cinco anos.
Pensar, também, que eu nunca tinha visto o rosto do meu marido se iluminar daquele jeito.
Nunca.
— Você está bem?
O som da voz do Alexander me arrancou do meu devaneio. De repente, senti uma humidade na bochecha e percebi que uma lágrima solitária tinha escapado. Com o rosto queimando de vergonha, tratei de limpá-la rapidamente.
— Sim. O vento só está fazendo meus olhos lacrimejarem.
— Certo. — Alexander não pareceu convencido, mas não insistiu no assunto.
— Bom, é melhor continuarmos andando.
Como se fosse um sinal, meu estômago roncou alto.
— Na verdade, podemos parar para almoçar? Eu não tive a chance de tomar café da manhã hoje. — Perguntei.


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