— Como vocês podem provar que esse casamento não é só fachada? — Um homem perto da frente gritou de repente.
— Como podem provar que se amam de verdade?
Provar? Como raios a gente deveria provar algo que não existia?
Olhei para o Alexander, que, por uma vez na vida, parecia sem palavras.
Naquele momento, soube o que tinha que fazer. Era arriscado, potencialmente humilhante e podia até dar muito errado. Mas era o único jeito de calar a boca deles por enquanto.
Antes que eu pudesse pensar duas vezes, estiquei o braço e agarrei a gravata do Alexander. Os olhos dele arregalaram de surpresa quando o puxei para baixo, na minha direção.
E então liguei o foda-se e beijei ele, de forma desesperada e profunda. O tipo de beijo que uma mulher daria no homem que ama de verdade.
Era o jeito que eu tinha imaginado beijar o meu parceiro de alma mil vezes antes, na privacidade do meu quarto solitário, em noites que eu preferia esquecer.
O nosso primeiro beijo.
Nem no dia do nosso casamento — que foi uma cerimônia pequena e privada — a gente tinha se beijado. Nós simplesmente assinamos o contrato e colocamos as alianças na frente do Gabriel, que celebrou a união.
E depois ele me levou para aquele quartinho de hóspedes minúsculo no lado oposto da mansão, e foi isso.
Mas agora os lábios dele estavam nos meus, e eram mais quentes e macios do que eu jamais imaginei. O perfume dele me envolvia, me fazendo esquecer todo o resto. Era como um cobertor grosso protegendo a gente do resto do mundo.


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