Alexander & Ella.
Ponto de vista de Alexander.
Era o início de uma tarde de terça-feira. Eu tinha uma reunião em menos de uma hora e muito o que fazer. Deveria estar revisando os relatórios orçamentários espalhados pela minha mesa antes do compromisso, mas não conseguia me concentrar.
Minha mente continuava flutuando para outras coisas. Coisas melhores.
Como a imagem de Ella espalhada sob meu corpo como um banquete feito exclusivamente para mim. O gosto dos lábios dela, doces com a água da chuva da tempestade. O som da sua voz quando ela gritou meu nome, quase se perdendo sob o barulho dos trovões.
Ella. Ella. Ella.
Ela consumia minha mente. Toda vez que eu fechava os olhos, a via. Toda vez que inspirava, sentia seu cheiro. Eu nem conseguia mais dormir direito porque só queria a porra do tempo todo olhar para ela.
Maldição. Eu estava afundado até o pescoço, não estava?
Com certeza estava muito, muito mais envolvido do que jamais pretendi ficar com qualquer pessoa, quanto mais com a mulher com quem me casei por razões políticas há cinco anos. Pelo que eu sabia, ela ainda poderia ser uma espiã e eu era realmente o tolo que Gabriel dissera que eu era.
Mas não havia mais como negar, eu estava me apaixonando por Ella. De forma avassaladora, rápida e irreversível. Não havia mais volta a partir daqui. Não mais.
Talvez eu estivesse me apaixonando por ela há mais tempo do que gostaria de admitir. Talvez tivesse começado lá atrás, quando ela estava doente e me vi ansioso por nossas partidas de xadrez no hospital.
Ou talvez fosse algo mais recente, ligado à gravidez, à maneira como ela enfrentou Gabriel e ao modo como tudo mudou depois que eu a marquei.
De qualquer forma, não importava quando começou. O que importava era o que eu faria a respeito agora.
No fundo, eu realmente queria tornar isso oficial. Queria dizer a ela como me sentia, queria parar de fingir que não havia algo forte entre nós. Queria mostrar que ela não era apenas sexo ou conveniência para mim, mas alguém que realmente importava.
Queria ser um marido de verdade para ela, não apenas o Rei Alfa que por acaso compartilhava a mesma cama.
A consulta de ultrassom foi esta tarde. Hoje à noite, quando ela chegasse em casa com novidades sobre nosso filho, talvez fosse o momento certo para—
De repente, uma batida na porta do meu escritório interrompeu meus pensamentos.
— Entre. — Chamei, sem erguer os olhos dos papéis que deveria estar lendo.
— Rei Alfa.
Eu conhecia aquela voz. Minha cabeça se ergueu rapidamente e vi Thomas Black parado no portal da porta, o boné nas mãos e a mesma expressão nervosa que ostentara todas as vezes em que o vira nos últimos meses.
Thomas Black. O jardineiro de Stormhollow que confessou ter cortado os cabos de freio do carro dos meus pais. O homem que eu ameaçei para que continuasse a investigação.
— Thomas. Não esperava ver você aqui. — Inclinei-me para trás e soltei a caneta.
— Eu sei, senhor. Peço desculpas por incomodá-lo sem agendamento, mas eu precisava vir. — Ele deu mais alguns passos para dentro do cômodo e fechou a porta atrás de si.
— Tenho algo que o senhor precisa ver.
Sentei-me um pouco mais ereto.
— O que é?
Thomas enfiou a mão no casaco e tirou um envelope pardo.

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