Ponto de vista de Ella.
Eu não conseguia falar enquanto olhava para aqueles olhos verdes familiares. Alexander cheirava ao seu aroma de costume combinado com suor fresco e terra, mas havia algo mais ali também, o cheiro metálico de sangue seco.
Ele estava ferido? Eu estava ferida?
Não tive tempo para remoer o assunto antes que Liam, parado atrás de mim e limpando o feno da camisa, dissesse:
— Que diabos aconteceu?
O rosto de Alexander, que por um momento estava mascarado pelo choque e talvez até um vestígio de alívio, endureceu. Ele me colocou no chão. Fiquei feliz ao notar que minhas pernas, de fato, não estavam quebradas e que não havia sequer um arranhão em mim.
— Eu estava me perguntando a mesma coisa. — Disse ele, olhando primeiro para mim, depois para Liam e, em seguida, para cima em direção à porta aberta do sótão de feno de onde eu acabara de cair.
Liam abriu a boca para dizer algo, mas foi rapidamente interrompido por um grito estridente.
— Ella! Oh, Deusa, Ella! Você está bem?
Todos nos viramos para ver Sophia dobrando a esquina do celeiro, com o cabelo desgrenhado e os olhos arregalados. Ela estava pálida e sem fôlego por ter descido a escada do celeiro e corrido às pressas.
— Ela te empurrou, Ella? — Liam apontou para Sophia. Seus olhos estavam praticamente vermelhos de raiva.
Virei-me para ela, observando-a de cima a baixo. Ela certamente parecia surpresa, e embora nunca tivéssemos nos dado bem, ela jamais fizera algo tão grave quanto tentar me ferir antes.
Mas minhas suspeitas permaneciam.
— Senti algo empurrar minhas costas. — Eu disse lenta e deliberadamente.
— Sophia era a única outra pessoa lá em cima comigo, e duvido que as vacas saibam subir uma escada.
Os olhos de Sophia começaram a lacrimejar enquanto ela agarrava seu colar de pérolas.
— Eu nunca faria uma coisa dessas! — Gritou ela. Ela se voltou para Alexander.
— Alex, você tem que dizer a eles! Você me conhece! Eu não faria...

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