Ponto de vista de Alexander.
Ver Ella passar se esgueirando por mim com a bandeira do nosso time presa entre as mandíbulas fora uma cena e tanto. Eu a persegui mais por obrigação do que por qualquer outra coisa, mas vê-la sua forma de loba cortando o bosque com aquele fogo competitivo queimando em seus olhos despertara algo no meu peito para o qual eu não estava preparado.
Ela sempre fora linda. Eu nunca pude negar isso, mesmo nos dias do nosso casamento em que eu estivera completamente irredutível em manter minha distância dela.
Mas ver esse lado vibrante dela era algo totalmente diferente.
Aquela era a minha companheira.
Meu lobo ronronou de orgulho enquanto observávamos o time dela comemorar a vitória. Ela nos pertencia, e era forte. Cada pedaço de mim queria reivindicar essa força, mostrar a ela o que eu realmente pensava a seu respeito, exatamente como eu quase fiz naquela noite na cozinha.
Mas então as palavras de Thomas Black ecoaram na minha cabeça, e o calor no meu peito esfriou.
Os pais dela a estavam usando para se aproximar de mim.
Eu vinha tentando não pensar na investigação. Mas estava ficando cada vez mais difícil ignorar as evidências, especialmente quando momentos como esse me faziam perceber o quanto eu começara a me importar com ela.
Quando é que isso aconteceu? Quando é que meu ódio por Ella se transformara em algo que parecia suspeitamente com...
Não. Eu nem queria pensar nessa palavra de quatro letras. Não até ter certeza de quem ela realmente era.
Eu precisava que Thomas encontrasse algo concreto, e precisava disso logo. Porque mais um pouco disso e eu faria algo monumentalmente estúpido.
Depois de lidar com uma pequena crise no evento — apenas uma confusão entre fornecedores —, varri a multidão com o olhar, procurando por Ella. Ela não estava parada onde eu a deixei, e não consegui resistir ao impulso de suspirar exasperado. É claro que ela não se sentaria para descansar.
O som de uma música animada chamou minha atenção em seguida, e segui o som, esquivando-me entre famílias e voluntários da campanha, até localizar a fonte. Um pequeno grupo de mulheres formara uma roda de dança improvisada no gramado, suas saias girando enquanto se moviam ao ritmo da música. E bem no centro de tudo estava Ella.
Parei no meio do caminho.
Eu nunca a vi assim. Em cinco anos de casamento, ao longo de dezenas de eventos formais e funções da campanha, eu vi Ella dançar raríssimas vezes. Sempre valsas cuidadosas e controladas. Mas nunca desse jeito.
Isso era algo completamente diferente.
Seu vestido azul inflava ao redor de suas pernas enquanto ela girava, os braços erguidos acima da cabeça, o rosto inclinado em direção ao sol poente. Seu cabelo se soltara do penteado, e a luz dourada apanhava os fios enquanto voavam ao redor de seus ombros. Mas foi o seu sorriso que me paralisou — radiante, desinibido e gostoso pra caralho de tão lindo.
Ela parecia livre. Verdadeira e completamente livre, e a visão disso pareceu um soco direto no meu estômago.
Porque eu sabia, lá no fundo, que eu era o grande motivo pelo qual ela nunca foi assim antes. Minha frieza, meu distanciamento, minha crueldade às vezes. Tudo isso drenou lentamente a luz dos olhos dela ao longo dos anos.
A observando agora, tendo vislumbres de quem ela deveria ter sido antes que as tramas de sua família destruíssem qualquer chance de um relacionamento real entre nós, algo se partiu no meu peito.
Ela merecia isso. Ela merecia rir, dançar e sentir o sol no rosto sem se preocupar com aparências de campanha, deveres de Luna ou em agradar um marido que passou cinco anos tratando-a como uma obrigação indesejada.
Por alguns minutos, eu só quis deixá-la aproveitar aquele momento. Não queria interromper nem lembrá-la de todas as complicações pairando entre nós. Queria vê-la ser feliz, mesmo que eu não pudesse ser a causa disso.

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