Ponto de vista de Ella.
O dia do piquenique amanheceu claro e radiante, com apenas o suficiente de brisa para impedir que o calor do verão se tornasse insuportável.
Fiquei na entrada do evento, onde um grande arco foi montado com uma placa de boas-vindas.
Minha mão pousava no topo da pequena saliência que agora se projetava sob o vestido azul de verão que eu vestia. O modelo tinha corte império, garantindo que minha barriga ficasse mais em evidência do que o habitual.
Afinal, era preciso garantir que todos soubessem que o Alfa e a Luna dos Ashclaw estavam esperando um herdeiro. Mas eu não estava reclamando. Hoje não.
Aos cinco meses e meio de gravidez, a minha barriga finalmente começoua a parecer. A visão do meu ventre arredondado ainda me pegava de surpresa às vezes, mas de um jeito bom.
— Aí está você. — Alexander apareceu ao meu lado, devastadoramente bonito em um jeans escuro e uma camisa casual de botão. As mangas estavam dobradas até os cotovelos e ele dispensara a gravata por uma vez.
— Pronta?
Assenti e peguei seu braço estendido, estampando aquele sorriso treinado no rosto enquanto nos dirigíamos para o espaço principal do evento.
Já tínhamos feito aquela dança tantas vezes que exercer nossos papéis públicos parecia o mesmo que vestir um par de sapatos bem amaciado.
Pelas horas seguintes, sorri até minhas bochechas doerem, respondi a perguntas sobre a data do parto pelo menos cinquenta vezes e deixei o que pareceu ser metade do território tocar minha barriga para dar sorte. Alexander manteve-se por perto, sua mão nunca se afastando muito das minhas costas ou do meu braço, interpretando o companheiro dedicado à perfeição.
Mas havia momentos — pequenos relances em que ele pensava que ninguém estava olhando — em que sua preocupação parecia genuína. A forma como me guiava até uma cadeira quando eu passava tempo demais de pé, ou como garantia que eu tivesse água e algo para comer pontualmente a cada hora.
Isso me lembrava do episódio na cozinha, duas noites atrás, de como ele olhou para mim, de como me tocou.
Exatamente antes de Gabriel nos interromper.
Eu vinha tentando não pensar naquele beijo, mas estava se mostrando difícil pra caralho. Cada vez que Alexander me tocava, mesmo que casualmente, eu me lembrava da sensação de suas mãos no meu cabelo e do gosto dele na minha língua.
Não tínhamos terminado o que começamos naquela noite, é claro. Imaginei que ele achasse ter sido um erro e simplesmente quisesse enterrar o assunto. Se ele não tocaria no assunto, eu também não iria me humilhar fazendo isso.
— Senhoras e senhores! — A voz amplificada de Gabriel cortou meus pensamentos dispersos. Ele estava em cima de uma pequena plataforma perto do centro das festividades, segurando um microfone.
— Temos uma atração especial planejada para esta tarde. Um bom e velho jogo tradicional de pique-bandeira!
A multidão comemorou e senti meu pulso acelerar. Eu não jogava pique-bandeira desde que era adolescente, antes de ser forçada ao papel de Luna e, bem antes de tudo ir ladeira abaixo.
— Vamos nos dividir em dois times. E nossos capitães serão o Alfa Alexander e... Que soem os tambores.
A multidão aguardou com expectativa. Endireitei os ombros, assumindo que a outra capitã seria eu.

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