Alexander & Ella.
Ponto de vista de Alexander.
O aroma da Ella me atingiu como um trem de carga no instante em que a puxei para os meus braços.
Cereja e baunilha, mas muito mais forte agora. O medo que antes se misturava a ele já começava a se dissipar, substituído por outra coisa. Algo que fez meu lobo enlouquecer.
"Marque-a", rosnou ele. "Ela é nossa. Está bem aqui. Marque-a agora."
O impulso foi tão avassalador que eu quase cedi. Cada instinto meu berrava para que eu cravasse os dentes na curva delicada do pescoço dela, selando de vez o vínculo que deveria ter sido consumado anos atrás. Minhas presas chegaram a se projetar ligeiramente, pressionando com suas pontas afiadas contra o meu lábio inferior.
Mas forcei as presas a recuarem. Não, eu não iria marcá-la. Especialmente não ali e naquele momento, no meio de um celeiro abandonado na floresta, com um cadáver esfriando bem ao nosso lado e sirenes ecoando ao longe.
— Alexander? Ele está mesmo morto? — A voz de Ella soou abafada contra o meu ombro.
Olhei de relance para o corpo estirado do agressor dela, com o pescoço torcido em um ângulo não natural. O sangue tinha se acumulado sob ele, escuro e espesso sob o feixe da lanterna.
— Sim. Ele não pode mais te machucar.
Ela estremeceu e se pressionou ainda mais contra mim. O aroma dela começou a suavizar, o que trouxe tanto alívio quanto decepção. A perda daquela fragrância intensa pareceu a remoção abrupta de um cobertor aquecido, mas também serviu para acalmar meu lobo.
A polícia chegou pouco depois. Consegui me afastar de Ella o suficiente para resolver tudo, coordenando as ações com os oficiais e explicando o ocorrido. Gabriel apareceu em determinado momento, acompanhado pelo que parecia ser metade do contingente policial do território.
Enquanto a polícia isolava a cena do crime, observei os paramédicos trabalharem, notando os cortes nos braços de Ella e os hematomas que começavam a surgir em sua pele. Ela parecia tão pequena sentada na parte de trás da ambulância, com o vestido rasgado e sujo, e o cabelo emaranhado com folhas e gravetos.
— Precisamos levá-la ao hospital para observação. Ela apresenta sinais de ter sido dopada, e deveríamos realizar alguns exames. — Disse um dos paramédicos.
— Não. — A voz de Ella surgiu mais firme, soando mais como ela mesma.
— Não vou para o hospital. Já passei tempo demais lá ultimamente.
— Ella... — Comecei, mas ela me interrompeu erguendo a mão.
— Estou bem, Alexander. Só quero ir para casa.

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