Ella & Alexander.
Ponto de vista de Ella.
O mundo continuava entrando e saindo de foco.
Em um momento eu estava sentada à mesa do restaurante, no outro estava sendo carregada pela porta dos fundos, vendo a cabeça ensanguentada da Lilith no chão atrás de mim, e então me vi encarando as costas de um banco de carro, com a bochecha pressionada contra um couro rachado.
Minha cabeça parecia cheia de algodão. Quando tentei erguê-la, tudo girou.
— Prontinho, querida. Apenas relaxe.
A voz do homem vinha de algum lugar acima de mim, mas soava distorcida, como se ele estivesse falando debaixo d'água. Ou talvez fosse eu quem estava submersa, me afogando, afundando. Tentei me virar na direção do som, mas meu pescoço não obedecia.
— O que... — O que você... — Minha própria voz soou estranha e arrastada.
— Shh. Não lute contra isso. Torna tudo mais fácil.
Pisquei forte, tentando clarear a visão. O homem dirigia com uma das mãos no volante, enquanto a outra se esticava para trás para tocar na minha perna.
Tentei me afastar, mas meu corpo não me ouvia. Meus braços pareciam pesar uma tonelada.
— Fique longe de mim.
O homem riu com um som feio.
— Você não está em posição de fazer exigências, Luna.
Luna. Ele sabia quem eu era.
O terror me atingiu em cheio, rasgando um pouco da névoa induzida pela droga. Aquilo não era aleatório, não era apenas um tarado qualquer que tinha visto uma garota bonita em um bar. Ele tinha me escolhido como alvo especificamente.
Tentei me sentar e olhar melhor para onde estávamos indo, mas havia algo de errado com meus pulsos. Quando olhei para baixo, vi fita adesiva prateada enrolada neles, prendendo-os juntos.
— Não, não, não... — Lutei contra as amarras, mas elas continuaram firmes.
— Economize suas energias, você vai precisar delas. — Aconselhou ele.
O carro passou por um buraco, chocando-me contra a porta. Através da janela, pude ver que não estávamos mais na cidade. Árvores passavam como vultos na escuridão.
O homem ergueu algo pequeno e retangular. Uma câmera.
— Sorria para mim, querida.
O flash disparou, me cegando temporariamente. Apertei os olhos com força, mas ele continuou tirando fotos, e os flashes machucavam minhas retinas dopadas mesmo através das pálpebras fechadas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Última Chance da Luna Adoecida