Mesmo assim, a cada vez que ele me tocava, meu corpo traidor respondia: o coração acelerava, a pele esquentava. E, a cada vez, eu me odiava por isso.
Não era real. Na verdade, nada daquilo era. O Alexander não me amava, não me queria. Ele só estava me usando para salvar a própria reputação e fazer a campanha dele seguir sem nenhum problema. E eu só estava aceitando aquela palhaçada porque precisava que ele me rejeitasse no final das contas se eu quisesse continuar viva.
Quando terminamos a sobremesa, meu rosto já estava doendo de tanto sorrir e minha cabeça latejava pelo esforço de manter a fachada. Tudo o que eu mais queria era ir para casa, tirar aquela marca falsa com o lavador e desabar na cama por uma semana inteira.
Alexander deve ter percebido o meu esgotamento, porque pediu a conta mais cedo do que eu esperava.
— Você parece cansada. — Disse ele, e, por uma vez na vida, pareceu sincero.
— E estou, foi uma noite longa. — Admiti.
Eu não tinha passado nem um dia inteiro em casa depois de receber alta do hospital antes de termos que fazer isso. Mas a gente precisava agir rápido antes que a bola de neve na mídia ficasse ainda pior, afinal de contas.
O caminho de volta para casa foi silencioso, graças a Deus. Alexander não tentou estender a nossa performance, e eu fui muito grata por isso. Encostei a cabeça no apoio do banco e fechei os olhos na maior parte do trajeto, cansada demais para mantê-los abertos por muito tempo.
Quando finalmente chegamos em casa, chutei meus saltos para longe no instante em que passamos pela porta.
— Vou tomar um banho e ir direto para a cama. — Avisei, já caminhando em direção às escadas.
Alexander assentiu.
— Vou ficar no escritório por um tempo. Tenho alguns e-mails para responder.



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