Ponto de vista de Ella.
Eu corria pela floresta, as folhas e as árvores passando como um borrão enquanto eu disparava em direção ao meu companheiro. Não sentia cansaço e nem dor. Meu coração martelava no peito, mas não de medo ou esforço, e sim de pura excitação.
Ao meu lado, meu companheiro também corria em sua forma de lobo, os pelos castanhos brilhando sob a luz da lua cheia. Nossos olhares se cruzaram por um instante, e eu quase conseguia ver o sorriso dele. Olhei para baixo e não vi dois pés, mas sim quatro patas; não vi pele pálida, mas sim uma pelagem brilhante e sedosa.
Minha loba tinha voltado.
Paramos perto de um riacho barulhento e voltamos à forma humana, tudo isso enquanto ríamos. Caímos de costas na grama macia, de braços abertos, com a lua flutuando acima de nós como um disco no céu.
Dedos quentes se entrelaçaram aos meus. Quando olhei para o lado, o Alexander estava nu, e eu também. Com o mesmo sorriso lindo e angelical que eu tinha visto no hospital, ele subiu sobre mim, posicionando-se entre as minhas pernas, e...
— Ella... Ella!
Dei um pulo, acordando assustada com o barulho de gritaria, confusão e alguém berrando meu nome. Pisquei, confusa. Eu ainda estava sonhando? Ainda estava na floresta com o Alexander, transando sob a luz do luar?
Mas não. O cheiro de produto de limpeza e o bipe dos monitores logo me lembraram de que eu continuava no hospital. A gritaria, porém, era bem real.
— Você não pode entrar aí! É um quarto privado!
— Só uma foto! O público tem o direito de saber!
Sentei-me na cama, espantando o sono bem na hora em que um homem com uma câmera invadiu o quarto, seguido de perto por outros dois. Um flash disparou, me cegando temporariamente, e precisei erguer o braço para proteger o rosto.
— Luna Ella! É verdade que você não é marcada? O Alfa Alexander rejeitou você?
Mas que porra é essa?
— Saiam daqui! — Puxei o lençol até o queixo.
— O que diabos vocês pensam que estão fazendo?
Mais flashes. Mais perguntas sendo despejadas em cima de mim. O quarto parecia estar encolhendo à medida que os fotógrafos se espremiam ao meu redor.
— Você esteve mentindo para a alcateia todos esses anos?
— O seu casamento é de fachada?

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Última Chance da Luna Adoecida