Clarice parou de andar, deu meia-volta e sussurrou algumas palavras para o segurança de terno preto.
O segurança assentiu, e logo os policiais que vigiavam a porta do quarto de Beto foram embora.
Clarice se escondeu no quarto de Luan.
Num instante, o corredor ficou completamente deserto.
Na esquina do corredor, Melissa andava de um lado para o outro, ansiosa. Como ela conseguiria entrar com a polícia de guarda?
Imersa em seus pensamentos, Melissa espiou mais uma vez e ficou paralisada com o que viu.
Como assim não havia mais ninguém?
Ela olhou para a esquerda e para a direita; não havia uma viva alma.
Ela não saiu de imediato, preferindo esperar pacientemente mais um pouco.
Só depois de dez minutos, Melissa finalmente entrou em ação.
Foi apenas quando Melissa entrou no quarto que Clarice saiu de seu esconderijo.
Aproximando-se silenciosamente da porta, ela viu Melissa observando Beto com um olhar furtivo.
Ela murmurava algo inaudível ao lado da cama.
De repente, Melissa ergueu o travesseiro bem alto, claramente com a intenção de sufocar Beto.
O olhar de Clarice ficou gélido, e ela deu batidas leves na porta.
Assustada com o som repentino, Melissa jogou o travesseiro longe num sobressalto.
Olhando em direção à porta, ela viu apenas um vulto passando rapidamente.
Melissa quase gritou. Apressou-se a pegar o travesseiro e o devolveu ao lugar.
Abriu a porta e, ao ver o corredor vazio, fugiu apressadamente.
Mas, assim que chegou à escada na esquina do corredor, deu de cara com Clarice.
Clarice bloqueou o caminho de Melissa.
— Melissa? O que você está fazendo aqui?
Melissa estremeceu de susto, soltando um gritinho. Ao erguer os olhos e ver Clarice, o pânico que transpareceu em seu olhar foi inegável.
Clarice estreitou os olhos, desconfiada.
Melissa tentou se recompor, esforçando-se para que sua voz soasse o mais natural possível.
— E por que eu não poderia vir ao hospital? Por acaso você é a dona daqui? Não estava agindo de forma suspeita coisa nenhuma. Só vim fazer uma consulta de acompanhamento depois do aborto. Até com isso você quer se meter?
— Aqui é a Unidade de Terapia Intensiva, não a ala de ginecologia. Não me venha dizer que você é cega e errou de andar.
Clarice lançou um olhar para o quarto de Beto.
— Naquele quarto está internado o pai do seu filho. Ele tentou matar alguém atropelado. Melissa, será que você não tem o dedo nessa história?
Ao ouvir as palavras atropelamento e morte, a respiração de Melissa falhou.
— Não sei do que você está falando. Que história é essa de pai do meu filho, de matar alguém? O que eu tenho a ver com isso?
Clarice deu um sorriso frio.
— Não tem nada a ver com você? Se não tem, por que você entrou de fininho no quarto e tentou sufocá-lo com um travesseiro? Você diz que não tem nada a ver, mas então por que ele vive repetindo que queria vingar o filho e fazer justiça por você?
O rosto de Melissa mudou drasticamente. Ela não conseguia mais manter a fachada de calma.
Apertou a bolsa nas mãos com tanta força que a deformou.
— Clarice, não sei por que você está me caluniando. Eu e Orlando não temos mais volta, você não precisa implicar comigo o tempo todo. Quanto ao que você disse, eu não sei de nada. Tenho coisas a fazer, com licença.
Após dizer isso, Melissa tentou ir embora. Clarice não a impediu, mas, quando Melissa já estava a uns cinco passos de distância...

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