A matriarca olhou para ela por um momento e soltou um suspiro.
— Fui egoísta em pedir isso. Minha jovem, quando estiver na capital e tiver um tempo livre, venha me visitar!
Clarice assentiu. Era um pedido que não podia recusar, e serviria para confortar a velha senhora.
Quando Clarice saiu do quarto de Dona Alves, imediatamente sentiu a atmosfera tensa na sala de estar, no andar de baixo.
Assim que estava prestes a descer as escadas, deu de cara com Elisa.
— Tia Elisa.
Elisa mantinha uma expressão neutra, mas Clarice percebia claramente que a mulher não gostava dela.
— Eu quero conversar com você.
Clarice lançou um olhar para o andar de baixo, onde a discussão ainda continuava.
— Tudo bem.
Clarice seguiu Elisa, e a mulher a conduziu até a varanda externa do segundo andar.
Não havia ninguém ali; o ambiente era extremamente silencioso.
Elisa virou-se e olhou para ela.
— Você poderia se afastar do meu filho?
Clarice franziu a testa.
— Tia Elisa, o que a senhora quer dizer com isso?
— Eu conheço o seu histórico familiar. Embora você seja filha do Wilson, não é a favorita dele. Como pôde notar, a Família Alves também não gosta de você.
— Ficar ao lado do meu filho só trará problemas para ele e não o ajudará em nada na carreira.
— Quem mandou a senhora me dizer isso? Foi o Ezequiel ou a Otília?
Clarice perguntou de forma direta, e Elisa visivelmente se surpreendeu.
Clarice entendeu tudo rapidamente. Parecia que havia adivinhado: estavam usando a mãe de Erasmo, a pessoa com quem ele mais se importava, para pressioná-la.
Como não conseguiram convencer Erasmo, decidiram atacá-la.
— Ninguém me mandou dizer nada. Essa é a minha verdadeira opinião.
O tom de Elisa soou um pouco ansioso.
— Você não o considera como um irmão? Não quer o bem dele?
— Sendo assim, afastar-se dele e convencê-lo a se casar com Vânia seria a maior ajuda que você poderia dar.
Elisa continuava obstinada, claramente sem absorver uma única palavra do que Clarice havia dito.
Clarice curvou os lábios em um sorriso gélido. Como ela podia ser tão teimosa e ingênua, permitindo-se ser usada como uma marionete pelos outros?
E o pior era que a mulher acreditava sinceramente que estava fazendo aquilo para o bem de Erasmo. Clarice sentia uma profunda tristeza pelo irmão.
— Eu imaginava que a mulher capaz de dar à luz alguém como o Erasmo seria, no mínimo, uma pessoa brilhante. Mesmo que tivesse sido cega de amor no passado, mais de trinta anos se passaram. Ela já deveria ter acordado para a realidade.
— Pelo visto, fui ingênua. Chego até a duvidar se todo o sacrifício que ele fez pela Família Alves ao longo desses anos valeu a pena.
Elisa olhou para ela com incompreensão.
— O que você quer dizer com isso?
Clarice sorriu, com o tom carregado de sarcasmo.
— Erasmo já se tornou uma águia que voa alto; a corda que tentava prendê-lo não passa de uma ilusão há muito tempo.

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