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A Tentação do Segundo Casamento romance Capítulo 106

— Claro que é porque você se tornou a minha assistente — disse Erasmo, servindo um pouco de comida no prato de Clarice.

— Quem mais? — perguntou ele, levantando os olhos para Adelina.

— Tobias Correia e Vânia Adriel — respondeu Adelina, apertando os lábios.

A menção de Vânia fez a expressão de Clarice endurecer.

Eles até convidaram Vânia. O que Ezequiel estava planejando?

— Ele ainda não desistiu! — comentou Erasmo, erguendo levemente as pálpebras com um sorriso sutil nos lábios.

— Irmão, o que você sabe? — perguntou Clarice, olhando para ele.

Ela havia deixado a Família Adriel há muitos anos e não fazia ideia de quando Vânia se tornara tão próxima da Família Alves.

— Tobias é o noivo arranjado para Adelina, e Vânia é a noiva que Ezequiel escolheu para mim. A Família Adriel prometeu muitas vantagens nessa aliança — explicou Erasmo.

A mão de Clarice apertou o talher abruptamente.

Wilson sabia muito bem da relação dela com Erasmo. Ainda assim, empurrou Vânia para ele. Isso era um esforço deliberado para enojá-la e insultar a memória de sua mãe?

— Fique tranquila. Com Kátia Miranda no meio, não será tão fácil para eles conseguirem o que querem. Ximena Faria não é de se jogar fora — disse Erasmo, dando um tapinha nas costas da mão dela.

Ele havia escolhido Kátia inicialmente porque ela era obediente e não nutria segundas intenções em relação a ele.

Em segundo lugar, porque tirar um pedaço de carne da boca daquela mulher louca da Ximena não seria nada fácil.

Clarice se acalmou. Pelo visto, ela não tinha outra escolha a não ser comparecer ao jantar daquela noite.

...

A noite logo caiu, e um Rolls-Royce alongado entrou lentamente na imponente e majestosa propriedade.

Clarice observava a paisagem que ficava para trás pela janela, enquanto uma sensação de familiaridade surgia em sua mente.

A única vez que estivera ali foi quando era criança, acompanhando o pai e a mãe no banquete de aniversário de Dona Alves.

Naquela época, a propriedade já lhe parecia enorme, várias vezes maior que a da Família Adriel.

Vendo-a agora, ainda sentia o mesmo impacto. Era de se esperar de uma família tradicional com mais de um século de história.

O carro parou em frente à mansão e, imediatamente, os criados se aproximaram para abrir as portas.

Erasmo desceu primeiro, abriu a porta para ela e estendeu a mão para ajudá-la a sair.

— Bem-vindo de volta, jovem senhor — disseram os criados, alinhados em fila.

Elisa Vieira.

A bela senhora se aproximou e puxou Erasmo para si, empurrando Clarice para o lado na pressa.

Elisa segurou os braços de Erasmo e o avaliou de cima a baixo. Seus olhos ficaram vermelhos no mesmo instante, e as lágrimas começaram a cair livremente.

— Erasmo, o meu filho sofreu tanto. A mamãe sentiu tanto a sua falta! — soluçou ela.

Em contraste com a profunda saudade de Elisa, Erasmo mostrava-se particularmente frio.

— Eu estou muito bem, não precisa se preocupar — disse ele, puxando os braços e dando um passo para trás.

— Erasmo, você me culpa, eu... — murmurou Elisa, ficando com o rosto mortalmente pálido ao ver as mãos vazias.

— Chega. Já que ele voltou, não fiquem aí parados na porta.

A voz era grave e cheia de autoridade. Clarice olhou na direção do som e deduziu que, se não estivesse enganada, aquele era Ezequiel.

Erasmo havia herdado trinta por cento dos traços de Ezequiel e setenta por cento dos de Elisa. Duas pessoas de aparência excepcional haviam dado origem a ele, alguém cuja perfeição parecia quase sem falhas.

Com apenas uma frase, Elisa perdeu a coragem de continuar falando. Até mesmo suas lágrimas desapareceram sem deixar vestígios, e seu rosto imediatamente assumiu um sorriso caloroso e dócil.

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