— Otoniel, prazer em conhecê-lo.
Abraço na cintura, mãos dadas...
A relação parecia não ser comum.
— Algum problema?
Olhando para a mão estendida à sua frente, Oziel não reagiu, encarando-o com um olhar afiado.
— Passei pelo laboratório e vi a garotinha sentada sozinha aqui.
Otoniel recolheu a mão sem jeito, sorriu levemente e explicou sem pressa.
— Fiquei preocupado que encontrasse pessoas ruins, por isso vim perguntar. Ela é sua...
— Sim.
Oziel apertou a mão de Klébia, com a voz grave.
— Ela é minha.
Ele queria dizer "namorada" ou "noiva".
Mas considerando que Klébia ainda não lhe dera um título oficial, teve que mudar a frase.
Ela é minha.
Um duplo sentido?
— ...
Klébia bebia seu chá com leite, olhou para ele de soslaio e mastigou as pérolas ruidosamente.
Pensou um pouco e, no fim, não negou.
Tudo bem.
Se não desse a ele um calmante, Oziel, que vivia com medo de "caçar amantes", acabaria enlouquecendo.
— Namorados?
Otoniel ficou levemente atordoado, depois um sorriso constrangido, mas educado, surgiu em seu rosto.
— É mesmo?
Realmente não parecia.
Ele pensou que fossem tio e sobrinha.
— Muito obrigado pela preocupação, Dr. Castro. — Oziel sentia uma aversão inexplicável por Otoniel, sempre achando que o olhar dele para Klébia não era puro, e respondeu inexpressivo. — Nós já vamos.
— Certo.
Otoniel não disse mais nada, assentiu sorrindo e observou os dois partirem.
Até o carro esportivo desaparecer na garoa.
Klébia?
O nome combinava bem com ela.
— Dr. Castro, o senhor está bem? — O assistente aproximou-se e perguntou com compaixão. — Essa garota parece bem jovem, como já tem namorado?
— ...
Otoniel não respondeu, sentindo seu coração voltar gradualmente ao normal.
Aquela garota realmente tinha um efeito incomum sobre ele.
Claramente não se conheciam, mas a familiaridade era extremamente forte, até mesmo...
Tanta insegurança assim?
Klébia pensou em pegar uma bala para agradá-lo, mas como tinham acabado, aproximou-se e perguntou
— Você está com raiva?
— Não estou com raiva.
Oziel virou-se, encontrando Klébia tentando agradá-lo deliberadamente; sua expressão suavizou, e o tom tornou-se resignado e carinhoso.
— Estou refletindo.
— Refletindo?
Klébia não entendeu muito bem.
— Sim. — Oziel ajeitou gentilmente o cabelo dela, com a voz rica e afetuosa. — A Klébia é excelente demais; preciso me esforçar mais para ser digno de você.
Caso contrário.
Sempre sendo cobiçada pelos outros, ele viveria com medo.
Como viveria assim?
— Ah.
Klébia sugou o chá com leite, ergueu levemente as sobrancelhas e disse preguiçosamente
— Não é tão complexo assim, basta você ganhar muito dinheiro.
Ela gostava de quem tinha muito dinheiro.
Olhando ao redor, ele era quem tinha mais.

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