— Futuro marido?
As pupilas escuras de Valentino se contraíram.
Seu belo rosto rapidamente se cobriu de uma camada de gelo, e palavras frias escaparam de seus lábios, carregadas de perigo.
—Yuriel, será que você ouviu errado? Conhecendo o caráter de Oziel, ele não faria algo assim.
— ...
Oziel baixou os olhos, em silêncio.
— Ah.
Yuriel, sentado ao lado, sentiu uma pontada na ferida ao falar, e seu tom piorou ainda mais.
— Que tal você perguntar pessoalmente ao nobre Sr. Andrade se ele anda cobiçando a irmã de um amigo?
— Tsc, tsc, tsc, mal começaram e ele já se atreve a se autodenominar futuro marido da irmãzinha.
— Se a família der o braço a torcer, ele não a levaria direto para o Cartório de Registro Civil?!
— ...
Valentino engasgou, lançando o olhar para Oziel, esperando uma explicação.
— ...
Oziel franziu os lábios finos, as sobrancelhas franzidas.
Seu rosto refinado exibia alguns arranhões, o canto da boca cortado com sangue coagulado.
Ele tirou o paletó, e a camisa branca delineava seu peito forte.
A gravata pendia torta em seu pescoço, o cabelo curto um pouco desgrenhado...
A luz fria e branca que caía sobre ele criava uma estranha aura de desolação.
Tsc.
Klébia o observava, gradualmente se perdendo em pensamentos.
Devia admitir...
Aquele rosto era muito bonito.
— ...
Vendo que Oziel não dizia nada, Valentino sentiu-se ainda mais inquieto e voltou o olhar para a irmã.
Quem diria...
Klébia olhava para Oziel com um interesse evidente, os cantos dos lábios levemente erguidos.
Por que ele tinha a impressão de que o olhar de Klébia para Oziel era ainda mais suspeito?!
— Oziel, é verdade o que Yuriel disse? Você está interessado na minha irmã?
Ao ver a reação da irmã, Valentino sentiu como se um raio o tivesse atingido, mal conseguindo respirar.
Ele conteve a raiva e perguntou, rangendo os dentes, palavra por palavra.
— ...
Klébia o encarou em silêncio, querendo ouvir sua resposta.
— É uma longa e um tanto absurda história. Mas o sentimento... realmente começou comigo.
Cobiçar a irmã de alguém significava que uma surra era inevitável.
Ele só não esperava que viesse tão rápido.
Ao ouvir isso.
Klébia relaxou a testa imperceptivelmente, um sorriso displicente surgindo em seus lábios.
Ele realmente ousou admitir.
Ótimo.
Quando a surra começasse, ela tentaria apartar.
— Você...
A mente de Valentino ficou em branco, incapaz de pensar.
Foi ele quem, por iniciativa própria, a enviou para Oziel.
Isso não seria o mesmo que entregar a ovelha ao lobo?!
Uma raposa velha como ele certamente tinha seus truques.
Caso contrário, como ele poderia ter conquistado Klébia em pouco mais de um mês, a ponto de ela se tornar tão próxima dele?
Ele não sabia até que ponto os dois haviam avançado.
Lembrando-se da intimidade com que se tratavam antes...

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