O quarto ficou subitamente silencioso, o ar tornou-se rarefeito, e um sentimento estranho começou a se espalhar.
— Haa.
Oziel abriu os olhos, seus orbes escuros, profundos e enevoados, fixaram-se na garota à sua frente, e sua voz soou rouca:
— Como você descobriu?
Dizem que quando um homem está três partes bêbado, ele pode atuar até te fazer chorar.
Ele se considerava um bom ator.
— Suspeitei quando tomei seu pulso, confirmei quando conversamos.
Klébia assentiu, erguendo levemente as sobrancelhas e respondendo com calma.
— Eu subestimei a habilidade da minha Klébia. — Oziel curvou os lábios com resignação, sorrindo um tanto sem graça.
Ele se esqueceu que Klébia era uma pequena médica milagrosa.
— Já que Klébia percebeu que eu estava fingindo estar bêbado, será que consegue perceber outras coisas também?
Oziel olhou profundamente para Klébia, e enquanto falava, sua respiração quente roçava o rosto da garota, uma provocação sutil.
— Perceber o quê?
Klébia abriu lentamente seus cílios longos e espessos, estreitando os olhos e dizendo com bastante calma:
— Que você gosta de mim?
— ...
Oziel ainda estava ensaiando mentalmente como dizer aquilo sem assustar Klébia.
Quem diria...
Essa garota era tão direta.
Desmascará-lo de forma tão franca o deixou sem saber o que fazer.
— Sim.
Oziel emitiu um “sim” abafado, forçando um sorriso desamparado.
— Pensei que minhas demonstrações diárias já fossem óbvias o suficiente.
Klébia franziu os lábios.
Uhm.
Realmente era bem óbvio.
Até ela, que não sabia o que era “gostar”, havia percebido.
— Originalmente, eu queria esperar você se formar para falar sobre isso. — Oziel levantou a mão, afastando cuidadosamente uma mecha de cabelo da testa de Klébia, e riu sem força. — Mas tenho medo que outra pessoa te roube de mim.
— Quem você acha que vai me roubar?
O coração de Klébia falhou uma batida, mas ela ainda fingiu calma na superfície.
— Yuriel?
— ...
Ao ouvir aquele nome, Oziel não respondeu, mas franziu a testa com força.
— Então, por agora eu posso gostar, é isso?
O rosto de Oziel esquentou, seus olhos escuros fixos em Klébia sem piscar.
— Quando tiver tempo, melhore seu preparo físico.
Klébia o interrompeu, sua voz rouca.
— Ah, e especialmente sua pontaria.
— O quê?
Oziel ficou atordoado por um momento, sem entender.
Gostar dela parecia exigir que ele fosse para um campo de batalha?
— Você saberá no futuro. — Klébia bocejou e disse em voz baixa. — Meus manos de treino são muito fortes. Se conseguir vencê-los, aí podemos falar sobre gostar ou não.
Manos de treino?
Oziel lembrava que Klébia viveu em um dojo por muitos anos.
Talvez ela estivesse falando das pessoas de lá.
— Certo.
Vendo-a tão sonolenta que mal conseguia manter os olhos abertos, Oziel se arrependeu de tê-la “enganado” e perguntou em voz baixa e suave:
— Eu vou me esforçar, para que eles peguem leve comigo.
Alguém que Klébia admirava, com certeza era muito bom para ela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Super Garota Adorando Doces