— Carolina, não se mexa.
A voz do médico veio de cima, com um pouco de seriedade.-
Carolina estava deitada na cama do pronto-socorro, o joelho recém-suturado, a anestesia ainda fazia efeito e a ferida latejava em ondas.
Mas, comparado à dor da perna, o incômodo constante no abdômen inferior a deixava ainda mais inquieta.
Seu rosto estava pálido a ponto de quase ficar transparente, o cabelo comprido e molhado, enxugado de forma simples pela enfermeira, continuava grudado no rosto de maneira desordenada.
O médico folheou a ficha médica, franziu a testa e perguntou: — Quando você caiu, bateu o abdômen?
Carolina hesitou.
A cena dela caindo da escada do Grupo Campos passou pela sua cabeça.
Os degraus de pedra fria, a chuva gelada e a voz indiferente de Ricardo no telefone.
— Chame o motorista você mesma.
Ela curvou as pontas dos dedos de leve e disse em voz baixa: — Acho que... bati.
O médico olhou para ela.
— Está sentindo uma dor contínua no abdômen?
Carolina concordou.
— Há quanto tempo?
— Começou agora. — A voz dela era muito suave. — Não é uma dor muito forte, é só um incômodo para baixo.
A expressão do médico ficou um pouco mais séria.
— Vamos fazer mais exames primeiro.
Quando a enfermeira a empurrou para a sala de exames, o celular de Carolina ainda estava em sua mão.
A tela já estava completamente trincada.
Mas ela ainda abriu a lista de contatos por reflexo.
No contato fixado no topo, o nome de Ricardo estava lá silenciosamente.
Ela encarou aquele nome por um bom tempo.
Queria ligar para ele.
Dizer que estava no hospital.
Dizer que a queda foi grave e que o médico mandou fazer exames.
Talvez, ao ouvir que ela realmente estava no hospital, ele viesse?
Mas no segundo seguinte, aquela frase fria dele soou em sua mente novamente.
— Carolina, não faça birra num momento como este.
O dedo dela parou no botão de discar, demorando para apertar.
Ao ver o rosto pálido dela, a enfermeira não pôde deixar de perguntar: — Quer ligar para a sua família? Quer que eu ligue para você?
A garganta de Carolina ficou seca e ela balançou a cabeça.
— Não precisa.
Ela virou a tela do celular contra a palma da mão, como se isso pudesse apagar aquela expectativa ridícula que ela nutria.
A luz da sala de exames era branca e ofuscante.
Carolina deitou na cama de exames, a saia foi levemente levantada e, quando o aparelho frio tocou seu baixo ventre, o corpo dela enrijeceu de forma incontrolável.
O médico disse em voz baixa: — Relaxe.
Ela queria relaxar.
Mas não conseguia.

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