Amanda Teixeira tinha certeza de que a ameaça de Erick Lino não era apenas conversa fiada. Ele com certeza tentaria usar suas conexões para se livrar daquela situação. Se Calel Guerrero descobrisse, conhecendo o seu temperamento, era certo que ele não ficaria de braços cruzados.
A pessoa que a interrogara há pouco mudara de atitude de repente. Após sair e retornar, informou que o vídeo de vigilância, anteriormente apagado, havia sido restaurado. Além disso, com o depoimento de Maia Lopes, funcionária da loja, ficou comprovado que o uso do spray de pimenta por Amanda fora legítima defesa.
Tudo aquilo confirmava as suspeitas de Amanda.
Agora, ela nem precisava mostrar a cópia do vídeo de segurança que guardava no celular.
De certa forma, era até um alívio: assim ela evitava uma punição. Afinal, invadir o sistema de câmeras de uma loja, mesmo para provar sua inocência, ainda era uma infração. Se tivesse que entregar o vídeo, uma multa ou até alguns dias de detenção seriam inevitáveis.
Amanda Teixeira saiu da sala de interrogatório e, logo na recepção, avistou Maia Lopes.
— Você ainda está aqui? — Amanda se aproximou.
Maia levantou-se depressa, balançando a cabeça.
— Estou esperando por você. Está tudo bem?
— Estou bem — Amanda sorriu —, mas ainda não posso ir embora. Preciso ficar para prestar queixa contra Erick Lino por ameaça e difamação. Pode ir, mas, por favor, reserve para mim aquelas duas roupas que gostei. Assim que resolver tudo aqui, passo para buscá-las.
Mal terminou de falar, Amanda viu Erick Lino sendo conduzido para dentro.
À frente deles, a postura firme e imponente de Calel Guerrero era inconfundível.
Assim que Erick Lino viu Amanda, imediatamente se lembrou de que todo aquele vexame era culpa dela. Seus olhos arderam de raiva, e ele esqueceu completamente todos os conselhos da mãe antes de sair de casa.
Num impulso, tentou mudar de direção e avançar na direção de Amanda, gritando insultos:
— Sua vadia!
— Policial, quero prestar queixa contra ele por ameaça, intimidação e difamação — Amanda declarou, fitando os olhos atentos de Calel Guerrero, enfatizando cada palavra. — O vídeo da loja, já restaurado, é a prova.
— Vad... Eu é que devia te processar por agressão, devia era dar graças por não ter feito isso ainda! — Erick voltou a se enfurecer.
Ele sempre se apoiara no dinheiro da família e no tio, que era delegado. Mesmo sendo de uma delegacia regional, já bastava para que Erick agisse com arrogância naquela área.
Claro, ele só se aproveitava de pessoas comuns, sem influência, e de garotas ingênuas ou ambiciosas, que buscavam algum benefício dele.
Por isso, viveu anos se divertindo sem consequências, até hoje, quando encontrou Amanda Teixeira — uma mulher que não se submetia às suas vontades.
Quanto mais pensava, mais raiva sentia. Sabendo que Amanda era apaixonada por Davi Freitas, ele resolveu cutucar a ferida:
— Sabe por que o Davi Freitas não quer nada com você?

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