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A Recompensa do Desprezo — Renascida para Vencer romance Capítulo 102

A jovem tinha um olhar frio e distante, rebatendo com ironia:

— Se ele vai se interessar por mim ou não, depende das minhas habilidades. Não precisa se preocupar, não temos essa intimidade toda.

O rosto do rapaz ficou vermelho, depois pálido e, em seguida, azulado. Dava para ver que não estava apenas magoado—seu orgulho havia sido jogado ao chão e pisoteado repetidas vezes por ela.

— A cena se interrompeu ali, quando ele se virou e foi embora.

A expressão daquela jovem, naquele momento, era idêntica à de Amanda Teixeira agora.

E aquela jovem, mais tarde, de fato, tornou-se esposa dele, graças ao seu próprio “talento”.

Davi Freitas afastou-se das lembranças, achando tudo aquilo quase cômico.

Todos esses anos se passaram e ela nunca mudou. Agora, Amanda mostrava quem realmente era. Afinal, ela desviava do assunto justamente porque temia que ele enxergasse sua verdadeira face, não era?

Ela era a consagrada escritora Estrela, recebendo mais de um milhão em direitos autorais por ano. Dinheiro não lhe faltava. Mas, assim que o divórcio saiu, ela colocou à venda a casa que ele havia dado para ela, além das joias que sua mãe lhe entregou ao longo dos anos. Não guardou nada, nem por apego.

Ela era mesmo assim: tão gananciosa, querendo nome e fortuna. O que mais restava para ele entender?

Agora, ao se recusar a revelar quem era aquela pessoa, Amanda só estava jogando a isca, esperando pegar um peixe maior.

Amanda Teixeira observava em silêncio o rosto de Davi, gelado e indecifrável, achando que ele faria mais alguma pergunta delicada. Para sua surpresa, no instante seguinte, o homem levantou-se, colocou o maço de exames médicos no armário ao lado da cama e, sem dizer uma palavra, saiu do quarto.

Amanda acompanhou-o com os olhos até que a porta se fechou. Só então sua testa franzida relaxou.

Aquele “santo” finalmente se foi.

Mal Davi Freitas saiu, a cuidadora bateu à porta e entrou.

Amanda estava recolhendo os pratos e talheres vazios da mesinha. A cuidadora foi logo ajudar:

— Srta. Teixeira, fique deitada e descanse, deixe que eu cuido disso.

— Obrigada. — Amanda aceitou e largou o que fazia.

Na manhã seguinte, já foi providenciar a alta.

No momento da saída, avisaram que ela podia ir embora sem pagar nada.

Nem precisava perguntar—era óbvio que Davi Freitas havia deixado tudo acertado.

Amanda não discutiu. Se não fosse por ele, nem teria precisado ficar internada.

Assim que saiu do hospital, pegou um táxi direto para o condomínio Maré Serena Residencial. Ao abrir a porta do apartamento, sentiu um cheiro horrível.

Quase vomitou de novo.

Aguentando o enjoo, limpou tudo e borrifou aromatizante pela casa até se sentir viva novamente.

Por sorte, aquela espécie de “terapia de exposição” acabou funcionando. Do contrário, teria passado por tudo aquilo em vão.

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