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A prometida do Capo italiano romance Capítulo 153

CAPÍTULO 188

Débora Andrade

Revirei os olhos e fiquei o tempo todo disfarçando, olhando pela janela, mexendo no celular, sentada na minha banquete macia, que sempre fica encostada na parede.

Luigi ficava me encarando o tempo todo, mas me fingi de morta para não deitar na cama com ele, que estava sem roupa nenhuma, parecendo um Deus, esticado na cama.

— Eu não vou morder... — enfim se pronunciou. — Caso queira deitar aqui, está quente.

— Você me deixou chateada, sabe muito bem. — O olhei mexendo os ombros.

— Vem aqui que eu te acalmo. — estreitei os olhos.

— Safado, estou ótima aqui. — o ouvi respirar fundo, e então deitou de lado.

O tempo passou, comecei a bocejar, então me assustei ao ouví-lo novamente:

— Seu pai é um homem bom, pra você? — estranhei a pergunta, me virei pra ele.

— Sim, meu pai foi pai e mãe pra mim e minhas irmãs. — falei brevemente, esse assunto me emociona, então voltei a olhar pra janela.

— Sua mãe...

— Nos deixou quando crianças, a mim e à minhas irmãs, deu a guarda para o meu pai, que inclusive, criou as filhas muito bem. — tentei não falar muito, e ele ficou em silêncio. — Eu gosto muito dele, visito muito pouco, na verdade, e a minha mãe... bom, quase nada.

— Então, estão vivos?

— Sim, e seu pai? Faz quanto tempo que ele morreu? Vocês eram bem próximos? — Luigi praticamente mudou de lado, tentando evitar me olhar.

— Não, nunca fomos próximos. Nem posso dizer que tive um, ele jogou na cara da minha mãe a vida toda, que os problemas em casa eram dela, e não fazia mais do que a obrigação em nos sustentar, mas o resto era com ela.

— Mas talvez ele trabalhasse demais...

— Ele nunca trabalhou, o dinheiro e as empresas eram herança da minha mãe, ele mentia que cuidava e quase faliu com tudo. É apenas um progenitor pra mim, fez muito mal à minha mãe. — falava com tristeza, olhando para o teto.

— Entendo... — me virei e vi que o seu semblante mudou muito. Me levantei e acabei indo até a cama, deitei do seu lado. — E, irmão? Você tem? — ficou um silêncio absoluto. — Luigi? Se não quiser responder não precisa.

— Eu já tive, mas também morreu. — se ajeitou melhor na cama, entendi que não queria mais falar, então puxei a coberta e nos cobri.

— Entendo... acho que fiquei com sono. Boa noite, Luigi.

— Boa noite, Débora.

(...)

Vinte dias depois:

As coisas tem mudado entre nós, diariamente. Eu e Luigi brigamos bastante, mas também temos nos entendido cada vez melhor, sinto isso.

Eu fico mais na casa dele, do quê ele na minha, embora agora consiga trabalhar no reduto sem que ele pare com o seu trabalho para me espiar.

Luigi me leva e me trás, não me deixa sair sozinha, mas também não me priva de nada, é apenas cuidado, eu me sinto diferente de como era antes, sei que ele tem carinho por mim.

Sentada na varanda da sala, fiquei olhando para a minha mão e sentindo falta da aliança, que misteriosamente nunca mais apareceu, desde o dia em que o Leonardo esteve aqui.

Luigi não me conta muito sobre como ficou isso, e sei que continua investigando Leonardo, mas se eu perguntar pode ficar com ciúmes e estou evitando conflitos no momento, já que ele suspeita que foi Leonardo quem roubou a joia.

Com o vento batendo no meu rosto e nos meus cabelos, observei um carro grande e preto entrando na casa, e logo vi Luigi saindo lá pra fora e fiquei só observando.

Silvestre desceu do carro que dirigia, “o homem não estava de férias?“ E, então abriu a porta e cheguei a levantar quando vi uma senhora bem arrumada, cabelos pintados de vermelho escuro, curtos e bem cuidados.

Quando Luigi a abraçou, logo entendi que era a mãe dele, e dando a volta, fui até eles na porta da casa, para cumprimentá-la.

— Débora, essa é a minha mãe... — Luigi apresentou e sorri animada, estiquei a mão para cumprimentar a minha sogra, mas seu olhar matador, me fez esconder a mão logo em seguida, e recuei quando começou a gritar, me deixando assustada:

— VAI EMBORA DA MINHA CASA! EU NÃO ACREDITO QUE ESTÁ AQUI, SOME DA VIDA DO MEU FILHO, BRUXA, TRAIDORA, VENENOSA!

— Mãe! Que isso, se acalme! — Luigi tentou impedi-la de gritar, a afastou de mim, mas ela continuou gritando e me olhando tão feio que parecia que iria sair fogo.

— VOCÊ PODERIA TRAZER QUALQUER UMA DAS VADIAS, ESSA NÃO! LEVA ELA DAQUI, LEVA DAQUI! — meu coração acelerou, fiquei completamente perdida, tentando buscar na memória tudo que ele já me disse sobre ela.

CAPÍTULO 189

Débora Andrade

O clima ficou muito pesado, muito estranho.

— Eu não sei o que eu te fiz, ou de onde me conhece, mas acredito que esteja me confundindo, senhora! — falei ao olhar para a mãe dele, que segurava a bolsa perto do corpo, parecia que eu iria roubar... credo!

Então começou a apelar, gritando com ele:

— LUIGI PORQUÊ ESTÁ FAZENDO ISSO COM A SUA MÃE? SILVESTRE TAMBÉM NÃO ME DISSE NADA, AGORA ENTENDO PORQUÊ ESTAVA ME ENROLANDO PARA VIR ATÉ AQUI! — coloquei a mão na cintura, tentando entender. Será que me confundiu?

— Com Silvestre, vou me entender depois, porque era para estar de férias, e não ir atrás de você! — Luigi falou e olhou firme para o mordomo, que tentou se explicar se aproximando.

— Estou de férias, então pensei que pudesse escolher o lugar de ficar. Só não fiquei aqui, porque entendi que não queria, mas...

— Já chega, Silvestre! Já chega! Vou conversar com a minha mãe, e você será o próximo! Vamos mãe! — Luigi falou e segurou no pulso dela, mas a senhora se negou:

— Primeiro você vai expulsar essa mulher daqui, depois conversamos! — ela ainda insistia.

— Mãe, eu e a Débora estamos juntos, será que a senhora poderia me dar um voto de confiança? Me ouvir?

— Eu é quem vou escolher uma mulher pra você, eu já te disse! Você sempre escolhe errado! Não sabe escolher mulher!

— Vou trazer um excelente terapeuta para a senhora, mãe. Vai se sentir melhor.

— Já chega de tratamento, já que voltei pra ficar, quero uma festa de boas vindas, com o meu vinho preferido!

— Mas, mãe...

— Você prometeu me deixar tentar viver do meu modo, Luigi... — agora estava entendendo... então teve mesmo um combinado? Luigi fica comigo, ela fica livre pra escolher o que fazer.

— Está bem, Silvestre disse que estavam pegando pesado com a senhora.

— Senhora está no céu, Luigi! — revirou os olhos, e realmente ela é bem nova, tem um corpo bonito, é linda. Acredito que não tenha mais que quarenta e cinco.

— Débora, vamos escolher o cardápio, Luigi vai avisar os convidados! — fiquei um pouco confusa, a mulher mudou o comportamento do nada, tirou uma agenda da bolsa e uma caneta. — Luigi, me devolva meu celular! — ordenou.

— Claro mãe.

A Helena parecia melhor agora, começou a dar ordens, escolher diferentes tipos de comidas, e foi anotando tudo, até que falei o que eu gostava:

— Eu gosto de pratos quentes, carnes e saladas, não ligo para luxo, não! — Nesse momento ela me olhou estranho, levou alguns segundos para raciocinar.

— Ah, é?

— Sim. — ela voltou a anotar e então começou a dar ordens para os empregados da casa.

Pode ser estranho, mas depois que ela começou a fazer isso, o clima já não estava mais pesado. Helena parecia bem, fazendo aquilo, talvez estivesse há muito tempo fazendo tratamento, e não tivesse tido realmente escolhas a fazer... e agora está fazendo o que gosta.

Quanto a mim, só preciso torcer para que ela realmente tenha me confundido, e que a cena de quando chegou, tenha sido apenas um surto ou algo relacionado à alguma confusão dela, porque seria muito ruim ter uma sogra que me odeia, certamente não daria certo.

A noite foi chegando, e quando ela disse que iria tomar um banho estranhei, pois ela não foi para o quarto que o Luigi disse que era dela, foi para um quarto comum, desses bem simples da casa. Não questionei, talvez seja um gosto dela, e eu também aproveitei e fui tomar um banho, provavelmente viriam pessoas de fora e Luigi gostaria que eu estivesse bem apresentável.

É claro que quando saí do banheiro, o meu querido namorado já havia esticado uma bela roupa com sapatos novos sobre a cama, sorri ao saber que ele continua cuidando de mim. Apesar de os dias estarem passando, Luigi não mudou o seu comportamento... Pelo menos até agora.

Havia um vestido bonito na cor vermelha, ia até os joelhos, e também um casaco combinando para acompanhar. O sapato era preto e vi uma caixinha sobre a cama, mas quando me abaixei para pegar, meu celular tocou.

Ajeitei a toalha sobre o corpo, e peguei o aparelho sobre o criado, estranhei não conhecer o número, mas poderia ser importante, então atendi:

— Alô!

— Tem dez minutos para vir embora, é meu último recado! — entrei em desespero ao ouvir aquela voz tão sombria.

— Me deixa em paz, Leonardo! — com as mãos trêmulas, procurei onde desligar, mas ainda ouvi:

— Eu estou chegando, Débora! Estou mais perto do que você pensa, e deixei um presente pra você em cima da cama! — desliguei atordoada, derrubando o celular.

“Não foi Luigi que comprou as roupas?“

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