CAPÍTULO 152
Salvatore Strondda
Os dias passaram, Maria está diferente. Evito ficar olhando pra ela, parece outra mulher, esse cabelo curto bem escovado, maquiagem feita, e as roupas que escolhemos na minha loja a deixaram linda.
Ela foge de mim o tempo todo, embora tenha pego ela olhando um porta-retrato meu por esses dias, e acabou quebrando quando se assustou ao me ver chegar, então não sei o que pensar, pois a presença dela tem me deixado impaciente, com vontade de me aproximar.
Cheguei em casa hoje, e estranhei a forma como correu me ver.
— Caramba! Te feriram? — começou a me tocar, procurando por tiro ou alguma coisa, e só então me lembrei que aquele Edoardo e o advogado deram trabalho hoje, mas senti-la foi bom.
— Acabou, Maria! Hoje pegamos os responsáveis por tantos atentados, a essa hora o advogado do Robert já foi para o inferno e o Edoardo está pagando pelos pecados nas mãos no Don Antony! — ela paralisou, tirou as mãos de mim, sentou no sofá, olhando para o nada.
— Sério? Aquele homem foi descoberto? Foi preso pelo Don? — estava branca, de tão pálida.
— Sim, ele já estava fazendo hora extra na terra, não é? Edoardo já é considerado um homem morto. — ela começou a sorrir, colocou a mão no peito, me olhou feliz.
— Meu Deus, eu pensei que ele nunca seria preso. Aquele homem é um demônio, sempre fugi dele.
— Agora você já pode sair daqui e andar livremente, caso queira. A única coisa é que Don Antony e Alexander querem testar o seu rosto para descobrir se é a senha da biometria facial que abre algum dispositivo. — notei a sua expressão um pouco triste.
— Ah, acredito que não. Pelo menos, Robert nunca me falou algo do tipo. — levantou do sofá. — Bom, então eu vou embora. Obrigada pela excelente recepção.
— Mas, já? Pensei que fosse continuar aqui? Quando eu disse em sair, foi passear, viajar, andar pelas ruas, não ir embora.
— Se estou em segurança, não vou atrapalhar a sua vida, vou voltar para o convento.
— Eu não quero que volte! Não é possível que esses dias que passou aqui, não foram o suficiente para mudar a sua ideia? — segurei no pulso dela e ela olhou.
— Se for pelo meu rosto, pode me levar até o patrão Alexander, eu tentarei ajudar.
— Não é por isso. É que gosto de você, pensei que poderíamos ter uma chance...
— Eu não vou negar que você é o único homem que não tenho medo, e ainda tem a promessa, mas não acredito que eu possa te fazer feliz, tenho traumas, tristezas... — puxei o corpo dela para mais perto do meu, porque se deixasse passar, talvez fosse tarde, eu não poderia permitir.
— Maria, é o seguinte: já deixei muitas oportunidades passarem na vida, já tenho mais de quarenta anos, e não posso te deixar sair daqui sem tentar!
— Tentar? Tentar o que? — me olhou, mas parecia assustada.
— Me deixa te mostrar que pode dar certo? Me deixa tentar? Me deixa te dar um beijo pelo menos? Assim você me diz se tenho chances! Não sente nada por mim? Posso te ajudar a sentir. Só não diga que ama outro, porque estou tão cansado de ficar para segundo plano. — respirei fundo, segurei seu corpo, colocando as mãos nas suas costas.
— Não consigo...
— Me beije, Maria! Não sou como os outros, também só quero uma oportunidade. — passei a mão em seus cabelos, enquanto olhava pra ela.
— Você não me perguntou nada sobre a promessa, não tentou nada até agora...
— Você pediu para guardar pra você, e costumo respeitar a decisão das mulheres. Isso não significa que não tive vontade de te beijar a cada segundo, mas se não ligar posso te jogar nesse sofá e te mostrar que posso ser um excelente amante, também!
— Não sei se seria uma boa ideia.
— Não sei, não é “não”!
Eu não queria assusta-la, por isso não a beijei antes, mas como não negou agora, coloquei a mão no seu rosto, escorreguei pela nuca e a tomei num beijo.
Maria não recusou, então avancei. Coloquei as duas mãos, que foram para a nuca e ela me correspondeu.
Foi diferente de beijar outra mulher, ela tem um beijo delicado, mas envolvente. Segundos depois eu senti que ela se soltou mais, parecia gostar do meu beijo, e senti que fui correspondido, fiquei louco para continuar, mas ela parou:
— Sabe qual foi a promessa? — me soltou para contar.
— Não. — puxei ela para o sofá, Maria sentou de lado, no meu colo.
— Prometi a Deus que se ninguém me arrancasse de lá, ficaria eternamente. Fiz isso porque tinha certeza que ninguém faria, mas você fez! — sorri, ela é mais doida do que eu.
— Não sabia os motivos de ir até lá, mas assim que te vi senti muita vontade de te arrancar daquele lugar. — dei uma pausa. — Agora não quero que saia daqui... De perto de mim! Me diz que gosta de mim, que vai ficar... — acariciei seus cabelos.
— Vou ficar... — sorri e voltei a beijá-la devagar, sentindo seus lábios macios me envolverem demais.
“Maria seria a mulher que tanto esperei?“
“Por que não percebi, antes?'
CAPÍTULO 153
Katy Caruso
Me sinto melhor, sabendo que tivemos um avanço e Peter não precisou de algemas, mas sei que o percurso é longo, e não vou desistir.
Percebi os olhares dele pelo meu corpo, mas eu sei muito bem que precisamos ir devagar, então acabei me vestindo enquanto conversávamos, e ele também colocou uma cueca mais tarde.
Quando percebi que voltou a massagear meus pés, eu fiz questão de fazer o mesmo, e ele estranhou:
— O que está fazendo?
— Massagem.
— Em mim?
— Não entendi sua pergunta. Em quem você gostaria que eu fizesse? — seu semblante ficou carregado.
— Nem em sonho fará em outro! — sorri.
— Que susto! É assim que eu gosto, mais mandão, possessivo. E, saiba que ainda farei muito isso.
— Que bom! — confirmei, pois realmente me sentiria mais segura.
— O meu celular está tocando, já entro com você! — comentou e então assenti e entrei em casa.
Logo depois ele entrou na sala e disse:
— Alex nos chamou para acompanhá-los na casa de Salvatore, quer ir?
— Claro! Vão verificar o rosto da Maria?
— Sim. — eu assenti, então voltamos para o carro.
Quando chegamos lá, estranhei em como ela estava tão bonita, até parecia outra mulher, e o mais legal foi o sorriso em seu rosto... algo me diz que Salvatore tem algo a ver com isso.
Alex chegou junto com a gente e trouxe a Laura, Maria fez questão de colaborar.
— Posso prender o cabelo se quiserem. — ela disse quando percebemos que não estava dando certo, mas Alex negou.
— Certamente não é você também! Isso é tão estranho. — Alex comentou.
— Tenta de novo! — Maria pediu e ele tentou, mas era sempre a mesma frase: acesso negado.
— Amore mio, tenta meu rosto novamente, quem sabe não abre. — Laura pediu e ele fez, mas não deu certo, era outra pessoa, ou outro código.
Vi que Alex tentou no próprio rosto novamente, no do Salvatore, no meu e no do Peter, mas embora tenha ficado apenas um ou dois segundos, o notebook apitou, e Alex voltou a colocar no rosto do Peter.
— Tem uma frase em inglês, aqui! — Alex disse, então eu traduzi:
— Verifique o e-mail de acesso, a sua senha numérica foi enviada!
— É isso, Peter! Meu pai enviou a você e o acesso está no seu e-mail.
— Que estranho. Me deixe acessar meu e-mail desse notebook. — Alex alcançou o notebook dele e rapidamente o Peter o acessou.
— Aqui não tem nada. — Peter disse.
— Você lembra que meu pai criou um e-mail conjunto com o seu, e achamos bem estranho na época? — Alex lembrou.
— Tem razão, e ele realmente tirou várias fotos de mim. Deixe-me lembrar qual era o e-mail e a senha... — ele pensou um pouco então começou a tentar.
— Deu certo? — perguntei.
— Tem uma mensagem e um código.
— O que diz?
— Vou ler...

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