Dandara nem se importava com o que Valentino estava pensando.
Ela ficou ali parada, sentindo apenas o pânico e a inquietação tomar conta de seu coração.
Aquela “ajuda” ambígua de Ramon a deixou confusa e desconfiada.
O que ele queria afinal?
Dandara não acreditava, nem por um instante, que Ramon fosse alguém de bom coração a ponto de defendê-la.
Ela só conseguia pensar que o lendário Sr. Amaral estava tramando alguma forma de puni-la.
Ainda mais com o olhar que ele lhe lançou naquele momento, claramente carregando um tom de deboche.
Era como se um caçador observasse, com prazer, a luta inútil de sua presa já capturada.
Exatamente assim.
Ela temia que seu fim estivesse próximo...
Afinal, o “modelo” que ela contratou no clube era ninguém menos que o temido Sr. Amaral, famoso por não ter piedade. Se morresse por isso, não seria nenhuma injustiça.
Principalmente porque, há pouco, no jardim, ela ainda teve a ousadia de falar mal do Sr. Amaral na frente dele.
Naquele momento, ela só queria assustá-lo, com medo de que ele a perseguisse e a fizesse passar vergonha diante da família Amaral.
Mas quem poderia imaginar que ela acabaria falando mal justamente para o próprio...
Acabou, estava tudo acabado!
Dandara não soube como conseguiu voltar para a cozinha. Seu rosto, já pálido, estava agora completamente sem cor.
Ela colocou a bandeja sobre a mesa, virou-se e caminhou em direção ao quintal dos fundos da cozinha.
Queria respirar um pouco, tentar se acalmar.
Quem sabe assim conseguisse encontrar uma saída.
Mal sentou-se em um canto, ouviu a voz de Valentino atrás de si: “Dandara!”
Dandara já estava ficando impaciente. Por que Valentino não a deixava em paz?

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