Ao terminar de falar, a mãe de Dandara deixou seu rosto ainda mais pálido.
Sempre, toda vez que a mãe queria que ela se submetesse, repetia essa frase.
Durante todos esses anos, especialmente quando Dandara disputava algo com Teresa, a mãe sempre a lembrava de ser filha de um criminoso, obrigando-a a se calar.
Durante todo esse tempo, apenas essa frase conseguia abalar seu coração.
Era doloroso ouvir tais palavras de sua própria mãe.
Dandara cerrava os punhos com força, as unhas cravando a carne da palma, e só assim conseguia manter-se minimamente lúcida.
Em outras ocasiões, talvez ela tivesse ficado triste por alguns dias e depois se recuperado, mas desta vez, não seria possível!
Ela tinha acabado de despertar, sua mãe já a tratava com frieza, e Teresa ainda insistia em provocá-la. Dandara saberia como dar-lhe uma lição.
Ela conteve o temperamento e sorriu: “A senhora tem razão. Então vamos.”
Teresa e Valentino já tinham ido à frente.
A mãe, ao que parecia, já aceitava o relacionamento dos dois e não via nada de errado nisso.
Durante os três anos em que esteve em coma, certamente muitas coisas aconteceram sem que ela soubesse.
As duas seguiram, uma atrás da outra, em direção à residência principal.
Quanto mais se aproximavam, mais belo era o cenário.
Tanto o tamanho e a decoração do prédio quanto as plantas e árvores ao redor eram notavelmente mais valiosos.
Os caminhos sinuosos, os jardins e pavilhões lembravam os antigos palácios misteriosos da Europa.
No entanto, ela já não tinha ânimo para admirar nada daquilo.
Chegaram à casa principal acompanhando Viviana e, ao entrarem, perceberam que já havia várias pessoas ali.
A família Amaral era muito numerosa; poucos tinham o privilégio de viver naquele castelo, mas, naquele dia, a maioria dos presentes era composta justamente por familiares que moravam ali.
Aqueles que moravam fora e puderam comparecer eram minoria.

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