O jardim da família Amaral era realmente lindo. Diziam que contrataram um designer profissional para planejá-lo.
Somente com o projeto, gastaram mais de dez milhões de reais, e as plantas exóticas e raras que preenchiam o jardim superavam em quantidade e valor várias espécies dos maiores jardins botânicos do país, sendo de valor incalculável.
Nos últimos anos, ela permanecera em coma, deitada em uma cama de hospital.
Talvez por esse motivo, sentia-se especialmente apegada àquela beleza.
Naquele dia, o tempo estava bom. Era pleno outono, e o pôr do sol tingia o jardim com uma camada dourada, uma cena deslumbrante.
Sem perceber, ela caminhou alguns passos a mais.
As vezes que visitara a família Amaral podiam ser contadas nos dedos de uma mão. O jardim, grande e complexo, a fez se perder rapidamente.
Ela olhou as horas, temendo se atrasar para o jantar, e decidiu procurar alguém para pedir informações.
Porém, o jardim da família Amaral era tão vasto que os empregados não costumavam circular por ali sem motivo. Caminhou por um bom tempo até avistar uma silhueta à frente.
A pessoa parecia também estar caminhando. Com receio de que sumisse de vista, ela imediatamente chamou: “Com licença, por favor, espere um instante.”
A silhueta à frente hesitou por um momento e parou, sem se virar.
Dandara, calçando sapatos baixos, foi até a pessoa com uma leve corrida. Quando se aproximou, percebeu tratar-se de um homem.
Ele usava uma camisa preta, parecia alto, ombros largos e cintura fina. Só de ver suas costas, já chamava atenção.
Dandara se perguntou mentalmente se até os empregados da família Amaral eram de padrão tão elevado. Realmente, uma família abastada.
“Com licença, poderia me informar como chego ao prédio nos fundos? Estou perdida”, Dandara parou, um pouco ofegante.
Ela passara tantos anos acamada que seu corpo estava muito enfraquecido.
Nos primeiros dias após despertar, quase não conseguia sair da cama.
Só depois de algum tempo, voltou a andar.
Naquela noite com aquele homem, ela quase desmaiara várias vezes de exaustão.

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