Era Cristina.
Ela segurava o convite entre os dedos, o canto dos olhos se erguendo com uma frieza encantadora.
— Volte e diga à Cláudia que nós, da SelvaVida Medicamentos, estaremos presentes. Quanto à família Lourenço, é melhor que se mantenha firme e não tenha nenhum problema.
— O que você pensa que é a família Lourenço? Acha que podemos ter problemas? — Sérgio riu como se tivesse ouvido uma piada, com uma arrogância extrema. — Vou deixar bem claro! Em toda RioVital, ninguém ousa tocar na família Lourenço. Em RioVital, a família Lourenço é a lei. É melhor você se lembrar disso, garotinha.
— Eu me lembrarei. — Cristina sorriu, mostrando os dentes brancos enquanto mordia um doce, seus olhos negros e profundos. — Família Lourenço.
Sérgio a considerou apenas uma jovem arrogante e ignorante, e se virou para ir embora com um gesto de desprezo.
Cristina observou suas costas, semicerrando os olhos.
No início, Sérgio não deu importância ao braço que ela havia torcido. Mas, ao sair do beco e entrar no carro, sua expressão mudou drasticamente.
Por que sua mão parecia ter perdido toda a sensibilidade?
Sérgio tentou sacudi-la, mas percebeu que todas as suas articulações pareciam desconectadas, o braço pendendo inerte, impossível de mover.
— Rápido! Para casa! Preciso encontrar minha tia!
Sérgio gritou, coberto de suor frio.
Será que ele ficaria aleijado?
— Não pode ser. — Sérgio murmurou para si mesmo, pálido. — Com minha tia aqui, ela com certeza vai me curar!
O motorista, sem entender o que estava acontecendo, olhou para trás.
— Senhor?
— Rápido! Mais rápido! — Sérgio gritou, desesperado.
Longe, no beco, Cristina desviou o olhar, seus olhos ainda carregados de frieza.
Os curiosos ainda os observavam.
Gisele parecia visivelmente abalada.
Cristina pegou a cesta de legumes do chão, um sorriso nos lábios.
— Vovó, vamos voltar. Meus amigos estão esperando para comer o camarão que você vai preparar.
Só então Gisele saiu de seu torpor.
— Vamos, vamos. Onde estou com a cabeça?
A multidão não se dispersou.

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