— Dr. Paixão. — A voz de Cristina soou calma.
Dr. Paixão imediatamente se endireitou.
— Presente.
— Sabe ferver água e identificar ervas? — Cristina indicou o armário de remédios com o queixo.
Dr. Paixão assentiu.
— Reconheço algumas, mas sou um pouco lento.
— Tâmara, cogumelo poria, Atractylodes frito. Separe-os para uso. — Cristina olhou de lado. — Se alguém vier para uma massagem, entre e me chame.
Dr. Paixão pensou consigo mesmo... Ela estava usando um cirurgião-chefe como recepcionista?
Cristina sorriu.
— Não quer fazer?
Dr. Paixão arregaçou as mangas.
— Seria uma honra.
Ele estava ali para aprender secretamente as habilidades dela. O que era ser um recepcionista em comparação a isso?
Depois de dar as instruções, Cristina levou Elísio para a sala dos fundos.
A decoração era única, com um divã macio no centro.
O ar estava impregnado com o aroma de artemísia queimando, um cheiro que se percebia logo ao entrar.
O divã parecia estar conectado a algo por baixo.
Olhando mais de perto, percebia-se que estava ligado ao fogão a lenha do lado de fora.
Era um pouco como as camas de tijolos aquecidas das casas rurais.
Sob o divã, havia uma camada de artemísia, separada por um véu de gaze lilás, dando um toque muito mais moderno.
— Tire a roupa. — Disse Cristina enquanto abria seu estojo de remédios. Ela prendeu seus longos cabelos, que iam até a cintura, com um grampo de madeira. — Deite-se.
O quê?
Pedir para o chefe dele tirar a roupa... nesse lugar? E deitar-se?
Rui, que entrava com um balde de madeira, ficou com uma expressão complicada no rosto.
Desde os quatro anos de idade, o chefe dele não permitia que ninguém o tocasse.
Ele fazia tudo sozinho, e os empregados da casa mantinham distância a esse respeito.
Mesmo quando viajava para o exterior, o chefe sempre se hospedava em suas próprias propriedades.

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